Casino pode usar oferta na Colômbia para comprar parte de Abilio Diniz

Grupo francês pretende arrecadar US$ 1,4 bilhão com oferta de ações do conglomerado colombiano Éxito, do qual é sócio controlador

Patrícia Cançado, de O Estado de S. Paulo,

30 de junho de 2011 | 22h40

Depois de anunciar aumento de participação no Pão de Açúcar com a compra de 6,2% das ações preferenciais, por mais de R$ 1,1 bilhão, o Casino volta a contra-atacar. E sua munição para a guerra pode vir do país vizinho. Na noite de quarta-feira, a rede colombiana de varejo Éxito, controlada pelo Casino, anunciou que fará uma oferta pública de ações para levantar US$ 1,4 bilhão. Segundo o Estado apurou, parte do dinheiro pode ser usado para uma eventual contraproposta pela parte de Abilio Diniz no Pão de Açúcar.

A oferta na bolsa já estava planejada pelo Casino, controlador do Éxito, com 54% das ações. A assessoria de imprensa do Éxito informou que a data da oferta pública será decidida na próxima quarta-feira, quando será realizada uma assembleia de acionistas da empresa. O comunicado ao mercado diz que os recursos serão usados para a expansão internacional do grupo Éxito - no mesmo dia, a empresa colombiana anunciou a compra do controle das redes de varejo Devoto e Disco, as duas maiores do Uruguai, por US$ 746 milhões. A América Latina, especialmente o Brasil, é atualmente um dos três pilares de crescimento do grupo francês.

Mudança de cenário. Nos bastidores do Casino, portanto, já existe um plano B para o uso desse capital. Segundo fontes próximas ao grupo francês, com a mudança do cenário no Brasil, o dinheiro pode virar "munição para guerra", ser usado como uma demonstração de força.

O Casino pode exercer o veto à proposta de fusão com o Carrefour Brasil e antecipar a opção de compra, adquirindo a parte de Abilio Diniz no Pão de Açúcar, dizem essas fontes. "Se ele (Abilio) está tão vendedor, o Casino, então, pode comprar a parte dele. E está mostrando que tem bala na agulha para isso", diz uma fonte.

Com base nesta quinta-feira, 30, a fatia de Abilio valeria aproximadamente R$ 4 bilhões - sendo R$ 2,5 bilhões diretamente e R$ 1,5 bilhões por meio da Wilkes Participações, a holding que controla o Pão de Açúcar compartilhada pelo empresário brasileiro e seu sócio francês.

O Casino ainda não se pronunciou a respeito da proposta de fusão com o Carrefour. Ele só fará isso depois que Abilio, presidente do conselho da Wilkes, convocar a reunião do conselho da holding.

Na quarta-feira, uma fonte disse ao jornal francês Le Figaro, que o presidente do Casino, Jean-Charles Naouri, pediu reunião do conselho da Wilkes. O Estado apurou que se ela não for marcada, o Casino pretende iniciar uma nova batalha jurídica.

Desde que informações sobre negociações entre Abilio e Carrefour vazaram pela imprensa francesa, há pouco mais de um mês, o Casino tem insistido no mesmo discurso - que aposta no Pão de Açúcar e tem compromisso de longo prazo com o Brasil.

Mas, na realidade, ele está se preparando para a guerra contra o seu sócio brasileiro. A compra de ações na bolsa nas últimas duas semanas foi orientada pela mesma estratégia.

Desde que a disputa começou, o Casino já investiu US$ 1 bilhão para comprar mais de 10% das ações preferenciais do Pão de Açúcar na bolsa. / COLABOROU FERNANDO SCHELLER

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