Ricardo Prado
Ricardo Prado

Casino vai esperar para vender a Via Varejo

Diante do baixo interesse, grupo francês optou por esperar ofertas melhores para fechar um acordo

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2017 | 05h00

O grupo francês Casino, dono do Grupo Pão de Açúcar e controlador da Via Varejo, que reúne as marcas Casas Bahia e Ponto Frio, não tem pressa para vender a rede de eletroeletrônico, apurou o Estado com duas fontes a par do assunto. O baixo interesse de grupos estratégicos e de fundos de investimentos deverá empurrar mais para frente as negociações.

A empresa de eletroeletrônico foi colocada à venda em novembro do ano passado. O banco Santander foi contratado para assessor a varejista nesta operação.

Apesar de sondagens feitas por grupos estratégicos – como a Lojas Americanas e a chilena Falabella – e de fundos de investimentos, como Advent e Bain Capital, ainda não houve uma proposta firme pelo negócio, de acordo com uma pessoa familiarizada com a transação.

“O processo (de venda) nunca decolou de fato. Com a retomada da economia e efeito do FGTS (com a autorização de saques de contas inativas), as vendas da Via Varejo ganharam um fôlego no primeiro trimestre”, disse essa fonte.

“Não foi estabelecido um prazo para apresentação de propostas. Muitos dos investidores interessados já começaram a conversar, mas não há uma data para concluir a operação”, disse outra fonte.

Nas últimas semanas, a família Klein, um dos acionistas da Via Varejo e fundadores da Casas Bahia e Ponto Frio, com 27,3% de participação, teria se movimentado para participar do processo de compra junto com outros fundos. “O movimento inesperado dos Klein também fez o Casino avaliar melhor a transação”, afirmou uma das fontes. A expectativa é de que o processo de venda se estenda pelos próximos meses.

De acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, a família Klein ainda não tomou uma decisão de fazer oferta pelo grupo junto com outros investidores.

Ações. Ontem, as units (pacote de ações) da Via Varejo recuaram 8,83%. Com valor de mercado de R$ 4,59 bilhões, a Via Varejo foi afetada, assim como outras empresas do setor, pela crise econômica do Brasil. Com a recessão, as ações da companhia despencaram fortemente em 2015. Nos últimos 12 meses, o valor de mercado da Via Varejo começou a se recuperar e quase dobrou, com alta de 88%, de acordo com a Economática.

Procurados, Casino, Lojas Americanas e Advent e representantes da família Klein não comentaram o assunto. Já Bain Capital e Falabella não retornaram os pedidos de entrevista.

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