Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

CCR nega atraso em obras e diz que falta clareza do governo

Concessionária afirma estar pronta para fazer novos investimentos, mas que falta definição sobre projetos no Brasil

André Borges, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2016 | 05h00

BRASÍLIA - O diretor-presidente do Grupo CCR, Renato Alves Vale, afirmou que a empresa está pronta para assumir novos compromissos de investimentos nos 402 quilômetros da BR-116, entre São Paulo e Rio, mas que depende de um sinal conclusivo do governo sobre a viabilidade de contratar as novas obras.

Em entrevista ao Estado, Vale negou que a concessão Nova Dutra, administrada pela CCR, tenha obras em atraso, conforme auditorias feitas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), e disse que a empresa tem sido obrigada a olhar destinos em outros países para alocar investimentos, por conta da indefinição sobre os projetos no Brasil.

Vale disse ainda que a empresa nunca esteve interessada em fazer a “renovação antecipada” da concessão, que vence em 2021, mas sim de realizar novos investimentos no trecho, necessários por causa do aumento de fluxo de carros.

Segundo Renato Alves Vale, o termo aditivo para prorrogar sua concessão seguiu orientações de reequilíbrio financeiro de contrato feitas pelo próprio TCU e hoje depende de uma definição da Agência Nacional de Transportes Terrestres. A agência já apresentou cinco cenários de investimentos, com aportes que variam de R$ 1,7 bilhão a R$ 3,5 bilhões e, consequentemente, extensão de 6 a 17 anos de contrato.

“Falta uma decisão do governo se quer fazer ou não. Se ele tomar essa decisão, está tudo pronto para que os investimentos sejam realizados”, disse Vale. “Temos olhado investimentos fora do País, porque aqui está difícil. O Brasil precisa tratar a questão de governança sobre esses investimentos.”

Auditoria recente feita pelo TCU aponta que a CCR Nova Dutra descumpriu metas de execução de obras obrigatórias previstas nos últimos anos. Em 2009, segundo o tribunal, a Nova Dutra chegou a registrar um índice de 71% de compromissos obrigatórios não cumpridos. Esse porcentual caiu para 15% em 2014. Vale refuta os dados. “Já fizemos 93% dos investimentos previstos no contrato.” 

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