Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Após renovar concessão da Via Dutra, CCR pisa no acelerador para crescer

Com o principal contrato garantido e solução da briga relativa à Autoban, empresa incorporou mais 18 ativos no último ano; novos negócios aliviam efeitos da pandemia

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2022 | 05h00

No início de 2021, a gigante de infraestrutura CCR estava prestes a perder uma de suas maiores concessões: a Nova Dutra. A empresa travava também uma briga com o governo de São Paulo envolvendo o prazo de concessão do Sistema Anhanguera-Bandeirantes (Autoban). Juntos, esses contratos representam 25% das receitas da companhia. Um ano depois, o quadro é diferente. A empresa não só garantiu a manutenção dessas rodovias como incorporou 18 novos ativos ao seu portfólio.

Nesse período, a CCR venceu quatro leilões de rodovias, de aeroportos e de ativos de mobilidade urbana, o que significa R$ 23 bilhões de investimentos contratados só com os novos ativos. Para este ano, a empresa vai elevar em cerca de 80% o investimento em expansão e melhoria das concessões, para R$ 4,5 bilhões.

Esse valor representa quase o dobro do montante investido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e por estatais do setor em 2021, de R$ 2,5 bilhões, segundo a Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

Desde que assumiu o comando da CCR, em meados de 2020, o executivo Marco Cauduro iniciou um processo de mudança interna. Mexeu na parte organizacional e montou uma agenda de crescimento. “O objetivo é criar a mentalidade de que não somos só uma operadora de ativos, mas uma prestadora de serviço público essencial.”

Nos próximos cinco anos, a companhia vai concentrar suas forças em rodovias, mobilidade urbana e aeroportos. “Vamos continuar com protagonismo nos leilões”, afirma.

Em 2021, a empresa manteve a concessão da rodovia Dutra por mais 30 anos ao vencer o leilão em outubro do ano passado, com outorga de R$ 1,8 bilhão e investimentos de R$ 15 bilhões durante o contrato. “Esse era um ativo chave para a empresa. É quase 1 milhão de viagens por dia”, diz o presidente da CCR. Nesse caso, a maior obra que terá de ser feita é a duplicação de 16 quilômetros (km) da Serra das Araras, no Rio de Janeiro, que custará R$ 1,2 bilhão.

Disputa encerrada

A empresa também resolveu a briga sobre a concessão do Sistema Autoban. Desde 2015, havia uma discussão em torno de um aditivo contratual que dava à CCR mais oito anos de concessão. Antes de deixar o governo de São Paulo, João Doria prorrogou até 2037 as concessões da Autoban, SPVias e Via Oeste, com contrapartida de a empresa pagar R$ 1,2 bilhão de outorga. “Essa disputa causava insegurança jurídica muito grande e impedia que uma série de projetos fosse executada na velocidade necessária”, diz Cauduro. A prorrogação dos contratos com o governo paulista envolve investimento total de R$ 2,3 bilhões na melhoria e expansão das rodovias.

Fundada em 1999, durante as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso, a empresa tem entre seus sócios a Andrade Gutierrez, Gupo Mover (antiga Camargo Corrêa) e Soares Penido – todos ligados à construção civil. A empresa vale na Bolsa R$ 26,6 bilhões, bem abaixo do início de 2020, antes da pandemia, quando alcançou R$ 40 bilhões. No ano passado, faturou R$ 11,9 bilhões, sendo quase 60% decorrentes das concessões rodoviárias.

A empresa sofreu com os efeitos da pandemia. Em 2021, faturou quase R$ 12 bilhões, sendo cerca de 60% vindo das concessões rodoviárias. Mas as receitas com pedágios cresceram apenas 1,6%. Em compensação, os demais negócios avançaram: mobilidade e aeroportos cresceram 73% (em parte pela incorporação de novos ativos).

Segundo relatório do Itaú BBA, esses ativos têm sido importantes para incrementar a receita. A expectativa é que os números melhorem, pois o volume de passageiros de aeroportos e de mobilidade urbana ainda está, respectivamente, 27% e 35% abaixo dos níveis pré-pandemia.

Por causa das novas concessões, o nível de endividamento (dívida líquida sobre Ebitda) da empresa subiu para de 3 vezes no quarto trimestre do ano passado. O aumento, segundo o Itaú BBA, é devido aos pagamentos de outorgas realizados no período como a concessão da Dutra (R$ 2 bilhões) e dos Blocos de Aeroportos Sul e Central (R$ 3 bilhões).

Cauduro afirma que esses números não preocupam e que a empresa poderia elevar essa alavancagem sem prejuízos. “Ainda temos bastante poder de fogo.” Segundo ele, no entanto, daqui para frente a empresa deverá ser mais seletiva. “Nas rodovias, os melhores ativos já foram licitados no ano passado. Agora tem a Sétima Rodada de Aeroportos, que estamos bem interessados.”

Desde o ano passado, a empresa passou a administrar mais 16 aeroportos no País. “Saímos de 20 milhões de passageiros e hoje estamos com 42 milhões nos aeroportos administrados. Hoje temos uma maturidade maior nessa área”, diz Cauduro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.