Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Cedae já demitiu 1,8 mil e cortou R$ 1 bilhão em custos

A estatal fluminense de saneamento, corre para se tornar mais enxuta e eficiente após a concessão bilionária dos serviços de água e esgoto no Rio

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2022 | 05h00
Atualizado 14 de fevereiro de 2022 | 10h51

RIO - Após a concessão bilionária dos serviços de água e esgoto no Rio, a Cedae, estatal fluminense de saneamento, corre para se tornar mais enxuta e eficiente. O enxugamento se impõe porque o faturamento vai despencar. Nos últimos anos, girou em torno de R$ 6 bilhões ao ano, segundo o presidente da estatal, Leonardo Soares. A partir de agora, sem cobrar a conta de água dos domicílios, apenas com o fornecimento de água tratada aos operadores privados, deverá ficar entre R$ 2,2 bilhões e R$ 2,3 bilhões ao ano.

No processo de transformação da estatal, um novo plano de negócios deverá ficar pronto em março, diz Soares. A execução deverá levar dois anos, mas o trabalho já começou. Desde 2020, foram dispensados 1,8 mil funcionários (de 5,2 mil). O corte de custos operacionais para 2022 já passa de R$ 1 bilhão, segundo ele. “O tamanho da companhia é maior do que a necessidade”, diz.

Conforme Soares, um projeto de eficiência energética pretende reduzir a conta de luz, hoje em torno de R$ 1 bilhão ao ano, em 30% a 40%. Já o plano de demissão voluntária (PDV) do ano passado permite uma economia de R$ 400 milhões ao ano, mas o tamanho ideal do quadro de pessoal será definido pelo plano de negócios.

A transformação faz parte de um novo modelo no setor de saneamento no País. O foco é a atração de operadores privados, separando os serviços de água e esgoto entre “produção” - captação e tratamento - e “distribuição”. 

A separação foi proposta pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A distribuição de água tratada, a coleta e o tratamento do esgoto, além da relação comercial com os clientes, são concedidas a operadores privados. A captação e o tratamento da água, fornecida aos operadores privados, seguem com a estatal.

“Transfere-se para quem tem capacidade de investimento uma boa parte das coisas que estavam nas companhias estaduais, mas estavam travadas”, diz Luciene Machado, chefe de departamento na Área de Estruturação de Parcerias do BNDES.

Carlos Brandão, presidente da Iguá Saneamento, que assumiu uma das áreas de concessão do Rio no dia 7, destaca que a separação incentiva as operadoras a acelerarem a redução das perdas de água. “Como somos compradores de água, quanto mais eficiência nas perdas, maior a produtividade”, diz Brandão. Na área assumida pela empresa, foi diagnosticada a perda de 62% da água consumida. É muito acima dos 36% estimados antes do leilão. 

De acordo com a diretora de engenharia da empresa, Paula Violante, os trabalhos serão concentrados na redução de vazamentos, fiscalização de ligações irregulares e encurtamento do tempo de resposta nos consertos, a partir de um sistema de monitoramento em tempo real da rede.

Alagoas

Em Alagoas, a estatal Casal também vem fazendo ajustes. De 2019 a este ano, o número de funcionários caiu de 885 para 696. A concessionária da região metropolitana de Maceió, da BRK Ambiental, contratou 1,2 mil trabalhadores, entre diretos e terceirizados.

O presidente da estatal, Clécio Falcão, destaca que, além da captação e tratamento de água, no modelo adotado em Alagoas, a Casal deverá também cuidar de um programa de investimentos no saneamento dos povoados rurais com menos de mil habitantes, que ficaram de fora da concessão.

“A Casal está se reestruturando no sentido de concentrar seus esforços na área de produção e tratamento de água. Entendemos que é um modelo que poderá alcançar o objetivo de universalizar o abastecimento de água e a coleta e tratamento de esgoto”, diz Falcão, em entrevista por escrito.

 

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