Sergio Castro/Estadão - 26/04/2016
Sergio Castro/Estadão - 26/04/2016

Cencosud compra rede de atacarejo Giga por R$ 500 milhões

Aquisição representa a entrada do grupo varejista chileno em São Paulo e no segmento de atacarejo, que tem sido o que tem trazido mais retornos para as empresas do setor

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2022 | 15h20
Atualizado 06 de maio de 2022 | 20h23

O grupo varejista chileno Cencosud fez mais um movimento de consolidação no Brasil e anunciou nesta sexta-feira, 6, a compra da rede de atacarejo Giga por R$ 500 milhões. A aquisição vai acrescentar à operação da Cencosud um negócio com faturamento anual de R$ 1,5 bilhão, com um total de dez lojas e um centro de distribuição em São Paulo.

De acordo com o fato relevante divulgado pela companhia, a aquisição representará a entrada da Cencosud no mercado de São Paulo, o maior do País, e em um segmento que tem se destacado frente aos outros do varejo, como supermercados e hipermercados. O negócio ainda precisará do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para ser concluído.

Nos últimos anos, o modelo atacarejo vem ganhando espaço no setor de supermercados por praticar preços menores - algo fundamental para boa parte da população em um momento de inflação atlta. Com o Cencosud não foi diferente: houve a migração de 27 lojas no ano passado para o modelo.

Por isso, na visão de Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail, o negócio entre Cencosud e Giga cria uma nova realidade para a varejista no mercado brasileiro. Afinal, a companhia estreia no mercado paulista em um segmento que tem garantido resultados de boa parte das empresas do segmento no País - segundo dados da consultoria McKinsey, o atacarejo já domina 40% das vendas de alimentos no Brasil e fatura R$ 230 bilhões ao ano. 

"O Giga é um negócio bom e em poucos anos conquistou uma posição bem robusta no mercado de São Paulo, que é o principal do Brasil, e dá uma posição boa para o Cencosud brigar com a concorrência", afirma Serrentino.

Para o especialista, o desafio do grupo será integrar os negócios para conseguir concorrer com companhias como o Atacadão e o Assaí.

No Brasil há 15 anos, o grupo Cencosud opera em mais de 70 municípios do País, com 346 lojas. Entre as marcas do grupo estão o GBarbosa, com mais força no Nordeste, o Bretas, que tem atuação nos estados de Goiás e Minas Gerais, além do Prezunic, com lojas restritas no Rio de Janeiro.

No ano passado, a empresa chegou a publicar a intenção de realizar um IPO na B3 para captar dinheiro a fim de acelerar a expansão das suas operações por meio de crescimento orgânico e aquisições. Mas com o mercado pouco aberto para novas ofertas, a empresa decidiu cancelar os planos por ora.

A história do Cencosud começou no Chile em 1976, com a abertura do primeiro supermercado Jumbo. No início dos anos 2000, partiu para a consolidação local e logo depois acelerou a sua expansão internacional pelos países da América Latina. Agora, além de Brasil e Chile, a varejista também tem lojas na Argentina, Peru e Colômbia e um universo de 140 mil colaboradores. 

No Brasil, o grupo fez uma série de aquisições de supermercados, mas analistas apontam que, assim como o antigo Walmart (que foi vendido para a Advent em 2018, se tornou Big e depois foi negociado com o Carrefour no ano passado), as operações das marcas compradas não foram integradas de maneira tão acelerada como deveria. Isso fez com que o Cencosud perdesse espaço para concorrentes.

No ano passado, a operação brasileira do Cencosud no Brasil sofreu queda nas vendas e redução em seus principais indicadores financeiros. No acumulado de 2021, a companhia registrou uma receita bruta de R$ 9,1 bilhões, 2,8% menor do que a vista um ano antes. Quando analisadas apenas as vendas em mesmas lojas (um indicador importante para o setor varejista), a queda foi maior, de 4,1%. 

Um dos motivos para a queda nas vendas, segundo a própria empresa, foi o desempenho no segmento de não alimentos - uma queda de 21% no quatro trimestre do ano passado. Ao mesmo tempo, a companhia já havia apontado que iria voltar a fazer uma expansão pela primeira vez em sete anos e abriu 10 novas unidades.

Concorrência

As concorrentes do Cencosud no atacarejo também estão acelerando a sua expansão. O Assaí, por exemplo, se separou do Grupo Pão de Açúcar em 2020 e de lá para cá fez a aquisição de pelo menos 70 hipermercados Extra, do próprio Pão de Açúcar, que vão ser remodelados para atuarem como unidades de atacarejo. 

Esse movimento fez com que o Grupo Pão de Açúcar acabasse com a sua bandeira de hipermercados, que vinha tendo resultados abaixo dos números do Assaí, que se tornou a grande estrela da companhia. Não por acaso, antes da separação, a varejista já vinha atuando na conversão de boa parte dos hipermercados. 

O Atacadão, que é controlado pelo Carrefour, também vinha fazendo compras em série. A maior delas foi a do Grupo Big, por R$ 7,5 bilhões, no começo do ano passado. Em 2020, a empresa já tinha pagado quase R$ 2 bilhões por 30 lojas da concorrente Makro e a conversão das lojas foi finalizada no ano passado. 

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