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Guy Perelmuter
O Futuro dos Negócios
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Centavos que valem trilhões

A Internet das Coisas irá gerar mudanças comparáveis à invenção da telefonia móvel e da própria Internet

Guy Perelmuter*, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2017 | 05h37

Ao longo das próximas décadas, o impacto da Internet das Coisas (ou Internet of Things - IoT) será comparável ao impacto da própria Internet ou da telefonia móvel. Estamos falando da transformação, através da instalação de sensores, de praticamente qualquer elemento do mundo físico em uma entidade digital - capaz de transmitir dados a respeito de sua localização e do seu funcionamento, capaz de ser atualizado e monitorado remotamente, capaz de ser integrado e de atuar de forma colaborativa.

Conforme falamos nesse espaço, a Lei de Moore - estabelecida em 1965 pelo co-fundador da Intel, Gordon Moore, e que permanece válida graças a avanços no projeto e manufatura de microprocessadores - prevê que o poder de processamento dos circuitos integrados irá dobrar a cada dois anos. A miniaturização dos componentes e a redução nos custos de manufatura também permitiram que o preço de sensores caíssem de forma significativa: se em 2004 o custo médio de um sensor era de US$ 1,30, esse valor caiu para US$ 0,60 em 2016 e estima-se que em 2020 fique abaixo de US$ 0,40.

Adicione a isso mais dois elementos: primeiro, uma camada de análise em tempo real da gigantesca massa de informações produzida por esses sensores (conhecida como big data) e, segundo, o desenvolvimento de técnicas de inteligência artificial para aprendizado, extrapolação e comportamento autônomo. Estes elementos já estão modificando a forma de interação entre as pessoas, entre as pessoas e as máquinas e entre as próprias máquinas.

Segundo a International Data Corporation (IDC), em uma pesquisa realizada em 2016 com 4.500 executivos espalhados em mais de 25 países e representando diversos tipos de negócios, mais da metade declarou que a IoT é estratégica para o sucesso de suas marcas. A motivação para aumentar o investimento nessa tecnologia, segundo eles, está ligada à produtividade, velocidade para acessar o mercado e automação.

Governos, consumidores e indústrias irão se deparar com um vasto conjunto de novas alternativas que irão permitir mudanças substanciais em uma série de processos, serviços e produtos. A General Electric, em um relatório publicado no final de 2012, estimou que nas próximas duas décadas o PIB global pode aumentar em até US$ 15 trilhões com o aumento de eficiência, produtividade e economia que será viabilizado com a conexão das máquinas industriais à Internet. Para se ter uma idéia do que isso significa, o PIB dos Estados Unidos em 2015 foi de pouco mais de US$ 18 trilhões.

A chegada com força total do mundo conectado através da Internet das Coisas (ou, segundo a Cisco, da Internet de Tudo) irá afetar até mesmo negócios mais “tradicionais”, ligados a setores industriais, de energia e de manufatura por exemplo. A exemplo do que acontece com as seguradoras e os carros conectados, empresas agora podem obter informações sobre como seus produtos são utilizados - antecipando potenciais problemas com os equipamentos e cobrando seus clientes de acordo com o padrão de utilização, da mesma forma que empresas de software cobram pela licença para usar seus programas (em um paradigma conhecido como SaaS - Software as a Service ou Software como um Serviço).

Mas os desafios são muitos - desde a infraestrutura, interoperabilidade de equipamentos e protocolos de comunicação até questões ligadas à segurança e privacidade das informações. Semana que vem iremos abordar esses aspectos da Internet das Coisas. Até lá.

*Investidor em novas tecnologias, é Engenheiro de Computação e Mestre em Inteligência Artificial

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