Centro-Sul deve colher 570,191 mi de toneladas de cana-de-açúcar

Seca que atinge as regiões produtoras fez com que a Unica reduzisse sua estimativa de produção de cana, açúcar e etanol para a safra 2010/11

Eduardo Magossi, da Agência Estado,

26 de agosto de 2010 | 10h55

A seca que atinge as principais regiões produtoras de cana-de-açúcar da Região Centro-Sul fez com que a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) reduzisse sua estimativa de produção de cana, açúcar e etanol para a safra 2010/11. Desde abril deste ano, quando se iniciou a colheita da safra, as chuvas ficaram bem abaixo da média histórica, o que prejudicou lavouras. A nova projeção da Unica indica moagem de 570,191 milhões de t de cana, crescimento de 5,2% em relação ao volume processado na safra 2009/10. Mais cedo, a Unica havia divulgado uma expectativa de 573,83 milhões de toneladas.

De acordo com o diretor Técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, essa nova estimativa de moagem representa uma quebra de torno de 7% em relação ao volume total de cana que se encontrava no campo no início da safra. Segundo a Unica, a falta de chuva está dificultando o acúmulo de biomassa pela planta. Em agosto, por exemplo, a produtividade média do canavial no Centro-Sul deve ficar cerca de 7% abaixo do valor observado no mesmo período da safra passada. A entidade ressalta que o Estado de São Paulo foi a região mais prejudicada.

Em compensação, o clima seco permitiu um avanço na moagem, que resultará em uma antecipação do final da safra. Isso abre a possibilidade de, em algumas áreas, o setor também processar a cana que não completou seu ciclo de desenvolvimento, o que pode levar à perda expressiva de biomassa. Segundo Padua, como o clima seco ainda persiste, caso o histórico de chuvas não seja retomado nos próximos, a perda da safra poderá ser ainda maior.

Produção

A Unica divulgou nova estimativa na qual prevê que a produção de açúcar na Região Centro-Sul na safra 2010/11 deve alcançar 33,73 milhões de toneladas, uma redução de 1,06% em relação à primeira estimativa e aumento de 17,75% em relação ao produzido na safra passada. A produção de etanol deve atingir 26,4 bilhões de litros, queda de 3,66% em relação ao número projetado inicialmente e crescimento de 11,4% ante o produzido na safra anterior.

As perdas registradas em relação à projeção inicial devem-se basicamente à seca que está sendo observada nas regiões produtoras. A Unica estima que o mix de produção em 2010/11 seja de 43,94% para o açúcar, ligeiramente superior aos 43,29% estimados inicialmente. Dessa forma, a maior parte da cana colhida nesta safra, 56,06%, deverá ser aplicada na produção de etanol. O mix para o etanol será, contudo, inferior aos 57,41% verificados na safra 2009/10.

O setor estima que a exportação de açúcar deve atingir 22,75 milhões de t na safra 2010/11, alta de 8,59%. Já a exportação de etanol deve cair 47,5%, para 1,45 bilhão de litros.

O clima seco também permitiu incremento na concentração de açúcares na planta. Do início da safra em abril até 15 de agosto, o resultado era de 135,54 kg de ATR por tonelada de cana, alta de 4,42% ante igual período do ano passado. A nova estimativa para o final da safra é de ATR de 141,8 kg por t de cana ante 130,23 kg registrados na safra passada.

Processamento

Do início da colheita da safra de cana-de-açúcar em abril até 15 de agosto, o processamento da matéria-prima na Região Centro-Sul totalizou 337,88 milhões de toneladas, 17,08% maior do que no mesmo período do ano anterior. A boa evolução da colheita deveu-se ao clima seco registrado na região, informa a Unica. No acumulado desde o início da safra, a produção de açúcar chegou a 19,51 milhões de t, 26,5% maior do que em igual período do ano passado. Já a produção acumulada de etanol no período foi de 14,8 bilhões de litros, alta de 19%.

No acumulado desde o início da safra até 15 de agosto, as vendas de etanol pelas usinas do Centro-Sul somaram 9,69 bilhões de litros, dos quais 8,82 bilhões foram destinados ao mercado doméstico.

Texto atualizado às 14h37

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