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Presidente da BRF renuncia quatro meses após assumir

Saída de Drummond ocorre após convite ao presidente da Petrobrás, Pedro Parente, para comandar o conselho

Renata Agostini, Reuters

23 Abril 2018 | 19h29

A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, terá de procurar seu quinto presidente em cinco anos. O engenheiro José Aurélio Drummond Jr. renunciou ao cargo que havia assumido há apenas quatro meses. O atual diretor financeiro, Lorival Luz Jr., acumulará as funções até que um novo executivo seja escolhido para o posto, segundo comunicado divulgado ontem pela companhia de alimentos.

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A saída de Drummond ocorre poucos dias após os principais acionistas da empresa convidarem o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, para comandar o novo conselho de administração da BRF em substituição a Abilio Diniz. A composição do colegiado será escolhida em assembleia de acionistas nesta quinta-feira, dia 26.

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A decisão de Drummond foi motivada por sinais de que o executivo acabaria sendo substituído, segundo relato de duas fontes ligada à BRF. Isso porque Parente chegará à chefia do conselho com mandato para redefinir a estratégia da empresa, o que se chocaria com a visão já apresentada por Drummond para a companhia.

Trata-se de novo revés para a empresa, que nos últimos anos experimenta enorme rotatividade entre seus principais executivos, especialmente nos cargos do primeiro escalão. Desde 2013, quando Abilio assumiu a presidência do conselho de administração com apoio da Tarpon (gestora que tem hoje cerca de 7% das ações da BRF), foram mais de duas dezenas de mudanças somente nas vice-presidências da companhia.

Abilio, que foi decisivo para a eleição de Drummond no ano passado, vinha movimentando-se para mantê-lo no posto. A permanência do engenheiro era um dos pleitos do empresário nas negociações com os fundos de pensão do Banco do Brasil (Previ) e da Petrobrás (Petros) sobre a composição do novo conselho de administração.

Maior exportadora de frangos do mundo, a BRF registrou prejuízo em 2016 e 2017 e vive aguda crise em seus negócios com decisões comerciais desastradas, perda de espaço para rivais no mercado interno e o bloqueio a vendas no exterior após ser alvo por duas vezes da Operação Carne Fraca.

Procurados, Petros, Península e Tarpon não comentaram. Previ não retornou.

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