CEO da Gerdau vê melhora da demanda por aço

O presidente-executivo da Gerdau disse nesta segunda-feira que viu sinais de melhora na demanda por aço nos últimos meses, mas não espera uma grande recuperação no consumo antes de 2010.

HUMEYRA PAMUK, REUTERS

22 de junho de 2009 | 19h55

"As ações estão baratas, nós estamos vendo sinais de melhora, está muito mais estável agora", disse à Reuters Andre Gerdau Johannpeter, presidente-executivo da empresa, em meio a uma conferência organizada pela American Metal Markets (AMM).

Johannpeter afirmou que viu uma melhora nos setores de construção civil e automotivo no Brasil, à medida que pacotes de estímulo ao redor do mundo estão lentamente ajudando no aumento da demanda, mas a demanda do usuário final permanece contraída.

"Nós não vemos sinais dos consumidores acreditando que a crise já passou e comprando novamente. Dessa forma, o resto do ano vai ser muito semelhante a agora, talvez nós vejamos um pouco de crescimento. Nós esperamos uma recuperação no próximo ano", afirmou.

A recessão global golpeou a demanda por aço, à medida que o consumo de indústrias importantes para o mercado siderúrgico, como as de construção e automotiva, caiu significantemente desde a metade de 2008, forçando uma redução na produção e o adiamento de planos de investimento.

Johannpeter afirmou que a companhia possui um plano de investimento de 415 milhões de dólares no Estado de Minas Gerais para aumentar a capacidade. "Nós ainda estamos pensando sobre isso. Está na mesa, mas estamos aguardando o momento certo" para prosseguir com o plano.

A empresa retomará as operações de seu principal alto-forno da unidade Açominas, depois de desativá-las em dezembro, ao mesmo tempo que anunciou recentemente a paralisação de uma planta em Nova Jersey. "Sobre a possível paralisação de uma terceira planta em Oklohoma, ainda estamos discutindo", afirmou Johannpeter.

Ele disse que a companhia teve de cortar postos de trabalho este ano, sem dar um número exato. Ele disse que não há planos de mais demissões no momento.

A Gerdau tem uma capacidade total de 23 milhões de toneladas e produziu 2,5 milhões de toneladas no primeiro trimestre deste ano, ante 3,5 milhões de toneladas no quarto trimestre de 2008, afirmou Johannpeter. Ele preferiu não dar uma projeção de quanto será a produção este ano.

Ele disse que elevou os preços na América do Norte em entre 20 e 40 dólares a tonelada, em parte por conta das pressões lde custos.

Johannpeter ponderou que a capacidade excessiva na indústria pode pressionar a alta dos preços. "Há 1,7 bilhão de toneladas de capacidade lá fora e a previsão de produção é de 1,1 bilhão de toneladas. Isso é muita capacidade em excesso, o que poderia pressionar os preços se não houver demanda suficiente", analisou.

"Esse é o maior desafio."

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