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CEO do grupo Latam diz que empresa não tem intenção de vender nenhuma unidade de negócio

Segundo Roberto Alvo, a companhia tem recebido múltiplas propostas de financiamento para a saída do processo de Chapter 11 nos Estados Unidos, equivalente à recuperação judicial do Brasil

Juliana Estigarribia, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2021 | 11h31

O CEO do grupo Latam, Roberto Alvo, disse nesta sexta-feira, 10, a jornalistas, que não há interesse na venda de nenhuma unidade de negócios. “Eu ficaria preocupado se fosse concorrente da Latam, teremos muita competitividade”, disse o executivo.

Perguntado sobre uma eventual oferta da Azul pela operação brasileira da Latam, Alvo foi taxativo: “O interesse da Azul é se defender, mas estamos tranquilos, não temos intenção nenhuma de vender unidades de negócios”. Ele destacou que cada uma delas é importante, com sinergias relevantes. “Nosso grupo hoje é muito mais forte e vamos ser um concorrente ativo no mercado.”

Em maio a Azul sinalizou que estava interessada em comprar a concorrente. No início deste mês, o presidente da Latam Brasil, Jerome Cadier, afirmou que uma eventual oferta de compra da empresa pela Azul está fora de questão e que a rival tem “pavor de concorrência”.

Segundo Alvo, o grupo tem recebido múltiplas propostas de financiamento para a saída do processo de Chapter 11 nos Estados Unidos, equivalente à recuperação judicial do Brasil. O executivo está confiante de que o grupo sairá fortalecido da pandemia. “Encerramos agosto com liquidez de US$ 1,9 bilhão, nosso grupo hoje é muito mais forte”, afirmou.

A Latam anunciou na noite de quinta-feira, 9, que entrou com uma moção que visa a estender o período de exclusividade de negociação com credores para apresentar seu plano de reorganização até 15 de outubro de 2021 e solicitar sua aprovação até 15 de dezembro deste ano.

“O pedido de extensão tem que ser aprovado, ou não, na próxima audiência com o juiz, no dia 23 de setembro. Pela lei norte-americana, podemos ainda pedir extensão até 26 novembro. Mas esperamos estar em posição de apresentar nossa proposta de reorganização nas próximas semanas”, disse o executivo.

Ele explicou que, pela legislação dos Estados Unidos, a limitação de prazos refere-se apenas ao período de exclusividade de negociação com credores. “A Latam pode ficar no Chapter 11 o quanto precisar, mas entendemos que não vamos precisar”, disse. “Pode ser que a saída do Chapter 11 ultrapasse 2021, mas estamos confiantes de que até o final do ano tenhamos fechados os principais ritos do processo.”

Retomada das viagens

O CEO da Latam disse que a retomada da demanda no setor aéreo tem afetado os preços das passagens na região. “As tarifas em geral têm aumentado, dependendo do país um pouco acima ou abaixo dos níveis pré-pandemia”, afirmou.

Ele relata que atualmente a operação doméstica brasileira está próxima de 80% dos níveis pré-pandemia. “Em 2022, o grupo deve ultrapassar a operação doméstica que tínhamos em 2019 no País.”

Segundo Alvo, a recuperação completa do doméstico deve acontecer em 2022. “No Chile e no Brasil, isso deve acontecer mais para o início do ano”, acredita. “Já no internacional, nosso plano contempla que a retomada total deverá ser mais lenta e não deve ocorrer até 2024. Ninguém sabe ainda como vão ser as restrições.”

No segmento corporativo, o executivo demonstrou otimismo. “No Brasil, a retomada no corporativo tem sido mais forte nas últimas semanas, embora ainda abaixo dos níveis pré-pandemia.”

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