Cerveja fica mais cara e produção cai no Brasil

Pelo 2º mês seguido, de acordo com cervejeiros, setor sofre recuo; em Estados líderes em volume produzido, diz IBGE, preço da bebida sobe bem acima do ritmo da inflação média acumulada em 12 meses

Gustavo Santos Ferreira, Economia & Negócios

10 de setembro de 2014 | 19h39

SÃO PAULO - A produção nacional de cerveja teve a segunda queda consecutiva em agosto. Na comparação com os dados de julho, o recuo foi de 7,7%. Em relação a agosto de 2013, de 2,3%. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira, 10, pela Associação Brasileira de Indústria da Cerveja (CervBrasil).

A explicação para essa queda na produção parece estar no bolso do consumidor. 

Em agosto, a região Sudeste foi responsável por 54% da produção nacional - e enfrentou queda de 1,4% no volume produzido. Enquanto isso, no mesmo mês, a inflação da cerveja, medida em 12 meses, subiu bem acima da inflação média na região. 

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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em São Paulo, a cerveja ficou 11,46% mais cara. Enquanto isso, na média, os preços de todos os demais produtos do mercado consumidor paulista subiram 6,24%. 

Em comparação semelhante, a bebida ficou 11,49% mais cara em Belo Horizonte, ante inflação média de 6,35%. No Rio, o preço do produto avançou 10,34%, sobre 7,67% de expansão média. 

No Nordeste, segundo maior polo produtor (22% do total) de cerveja do Brasil, a queda do volume produzido foi ainda mais acentuada: de quase 11%. Em Salvador, a inflação média em 12 meses foi de 5,53% e as cervejas ficaram nada menos que 14,06% mais caras. Em Fortaleza, a alta média dos preços foi de 6,38% e a cerveja subiu 9,05%. 

De acordo com o diretor executivo da CervBrasil, Paulo Petronio, o setor está agora num período de avaliação de investimentos de longo prazo. 

"Após retração de 2% na produção de 2013, o desempenho neste ano é fundamental para a retomada da confiança dos investidores", disse, em comunicado à imprensa.

Neste ano, no total, os números do segmento estão positivos. No acumulado até agosto, a alta é de 8,7% em relação ao mesmo período do ano. Em 12 meses, o crescimento do volume produzido foi de 4,4%.

Mais cara em 2015. Prevista primeiramente para junho, a alta dos impostos das bebidas frias (que, além de cervejas, inclui refrigerantes, isotônicos e refrescos) foi adiada para setembro - alegadamente, pelo governo, por causa da Copa. 

Deveria ter acontecido no último dia 1º. Mas, agora, por causa das eleições, a puxada do imposto também não veio. Em 2015, portanto, podem preparar o bolso tanto consumidores quanto produtores: o aumento médio previsto pela Receita Federal no preço dos produtos, quando do anúncio do aumento, era de 1,3%. 

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