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Edmar Barros/Estadão - 17/6/2021
Treinamento de funcionários na futura linha de produção de TVs da Mondial, em Manaus. Edmar Barros/Estadão - 17/6/2021

Chegada de marcas brasileiras não ameaça, por enquanto, ‘reinado’ de gigantes coreanas

Para avançar no mercado, companhias brasileiras terão de enfrentar gigantes que dominam o mercado nacional há décadas

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2021 | 10h00

No curto prazo, a entrada de novas fabricantes nacionais na produção de TVs não soa como uma ameaça para gigantes coreanas e chinesas que dominam o mercado brasileiro. As multinacionais que atuam no segmento têm porte muito maior comparado às estreantes brasileiras. Além disso, detêm a tecnologia.

Apesar das vantagens, as asiáticas estão em alerta diante dos movimentos dos novos concorrentes. Elas estão cientes de que a chave para manter o espaço conquistado no mercado é continuar investindo pesado em produtos cada vez mais inovadores para manter a fidelidade do brasileiro à marca.

“Enxergamos com naturalidade os recentes movimentos do mercado”, afirma o gerente sênior de produto de TV e áudio da Samsung Brasil, Guilherme Campos. Há mais de 30 anos no País com investimentos massivos no mercado local, ele diz que a marca mantém a relação de proximidade com o consumidor e atende o que ele procura. Todos os aparelhos que a companhia produz são smart, mais da metade de tela grande e majoritariamente de melhor resolução de imagem (4K).

A coreana LG, outra titã do mercado, também se apoia na inovação tecnológica para manter a posição vantajosa. Pedro Valery, especialista de produtos de televisores da LG do Brasil, não vê a chegada das novas concorrentes como ameaça a médio prazo. “Acredito que há espaço para novas marcas”, diz. 

A companhia, segundo ele, prioriza a entrega da melhor tecnologia independente da linha do produto e pretende continuar com essa estratégia. “Fomos pioneiros em incluir a inteligência artificial em TVs”, lembra.

Marcas chinesas

João Rezende, chefe de produtos da Semp TCL, segunda maior fabricante de TVs do mundo, diz que essa posição dá vantagem estratégica para a empresa competir globalmente e também no Brasil. O executivo informa que a marca é a terceira maior em vendas no País, com uma fatia de 14% e crescimento de mais de 50% na comparação com 2020.

Para neutralizar a chegada de novas marcas, Rezende argumenta que a estratégia usada é manter a oferta de produtos que tragam “mais tecnologia por polegada”. Isso significa incluir recursos disponíveis em produtos premium também em modelos mais simples, como os televisores de 32 polegadas.

Quarto maior participante do mercado de TVs do País, com as marcas AOC e Philips, o grupo chinês TPV também não enxerga a chegada de novos fabricantes como ameaça. Segundo Eduardo Brunoro, diretor geral, as marcas  da companhia já são bem conhecidas e reconhecidas no mercado, com produtos com ótimo custo/benefício e tecnologia.

Ele acrescenta  que a marca tem grande capilaridade e, por conta do vínculo com os distribuidores, consegue oferecer condições facilitadas de compra para o consumidor. “A soma de todos estes fatores nos coloca em uma posição bastante sólida frente aos novos competidores”, afirma o diretor.

 

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Multilaser, Mondial ou Britânia? Sua próxima TV pode ser uma marca nacional; entenda

Empresas brasileiras estão de volta à produção de televisores, retomando tendência vista até os anos 1990, quando marcas locais disputavam setor; fabricantes tentam ganhar relevância em mercado que movimenta até R$ 30 bilhões por ano

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2021 | 10h00

Empresas brasileiras estão de volta à produção de televisores, depois de um longo período no qual a fabricação no País praticamente ficou nas mãos de companhias asiáticas – coreanas, chinesas e japonesas. Nos anos 1990, havia várias fabricantes nacionais, como Gradiente, Sharp, Cineral, que acabaram deixando a produção de TVs. Agora o movimento de volta das nacionais é capitaneado por três indústrias com tradição na fabricação de eletroportáteis e eletrônicos, Mondial, Britânia e Multilaser.

Apesar de o porte das brasileiras ser muito menor do que o das gigantes coreanas que dominam o mercado, a chegada das novatas deve incomodar as multinacionais. E quem deve sair ganhando é o consumidor. Especialistas veem para os próximos meses uma guerra de preços de TVs, mesmo considerando a alta de custos dos componentes cotados em dólar. A intenção das novas fabricantes é conquistar uma fatia das vendas de televisores no varejo, que chegam a movimentar cerca de R$ 30 bilhões por ano.

Uma combinação de fatores tem atraído empresas nacionais para a produção de TVs. O isolamento social imposto pela pandemia aumentou a importância do entretenimento dentro de casa. Tanto é que as vendas de aparelhos no varejo no ano passado registraram um pequeno crescimento ante 2019 e somaram 12,147 milhões de unidades, segundo a consultoria GFK.

Também a crise econômica explica parte do interesse dos novos fabricantes. Mesmo com o bolso mais apertado, o brasileiro manteve o desejo de ter uma TV conectada de tela grande. “O consumidor passou a racionalizar a compra: procura hoje uma TV premium, mas com custo benefício maior”, explica o diretor de Varejo da GFK, Fernando Baialuna. Essa reação abriu espaço para que outras empresas começassem a explorar um novo filão de mercado que vinha se desenhando, mas que foi acelerado pela pandemia.

Na opinião de José Jorge do Nascimento, presidente da Eletros, que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos, o amadurecimento do produto reduziu o custo dos investimentos em tecnologia. E isso facilitou o acesso de empresas nacionais, normalmente menos capitalizadas do que as multinacionais, à produção de televisores. Ele lembra também que, em setembro do ano passado, a japonesa Sony deixou uma lacuna no mercado de TVs ao anunciar a saída definitiva do País.

Um salto das fabricantes de eletroportáteis

A Mondial, líder no segmento de eletroportáteis, comprou a fábrica da Sony em Manaus (AM). Com isso, encurtou o plano de produzir TVs, inicialmente previsto para se concretizar em três anos. A companhia começa a produzir TVs em outubro e a perspectiva é que os aparelhos cheguem ao mercado em novembro. “Estamos expandindo a empresa para a linha branca e de eletroeletrônicos e TV é o produto de maior valor agregado. Produzir televisão é aspiracional para qualquer indústria que entra nesse segmento”, diz Giovanni Marins Cardoso, sócio fundador.

Na sua avaliação, as companhias nacionais neste momento estão vendo mais oportunidades no mercado brasileiro do que problemas e têm mais ímpeto para investir do que as multinacionais. O empresário não revela quanto vai aplicar no novo negócio e diz que no momento está definindo as metas de produção. A intenção é aproveitar a sinergia da marca e a capilaridade da distribuição dos eletroportáteis para vender TVs.

A Britânia é outra empresa que pegou carona nos eletroportáteis para avançar no mercado de televisores. “Fizemos uma pesquisa e descobrimos que já estávamos presente com a marca Britânia em 98% dos lares com eletroportáteis”, conta Heloísa Freitas, gerente de marketing.

A empresa, que já produz TVs com a marca Philco, começou a fabricar smart TVs de 32, 42, 50 e 55 polegadas com a marca Britânia em fevereiro, na unidade de Manaus (AM). Desde o mês passado os produtos começaram a chegar ao varejo. “Queremos pegar a fatia de empresas que saíram do mercado e aproveitar o aumento do consumo e do entretenimento que veio com a pandemia”, afirma Heloísa.

Também sem revelar investimentos e metas de vendas, ela diz que a intenção é atuar como a marca Britânia numa faixa de preço intermediário, entre R$ 200 a R$ 300 mais barato do que a concorrência, dependendo do modelo do aparelho e da loja. Já a marca Philco, desde 2007 com a companhia,  se mantém como marca de televisores com mais tecnologia e inovação. A gerente frisa que não há risco de canibalismo entre as duas marcas.

Parceria com grupo chinês

A Multilaser, uma das principais fabricantes de itens de informática e telefonia fechou neste ano parceria com o grupo chinês Hisense, que detém os direitos da marca Toshiba, para usar essa bandeira, que tem forte presença na memória dos brasileiros,  em televisores voltados para o segmento premium. Durante décadas a marca Toshiba esteve presente no mercado brasileiro nas TVs fabricadas pela Semp. Mas a parceria acabou em 2018. A empresa também tem TVs com a marca Multilaser, mas esta é  voltada para aparelhos de menor valor.

Lançados no mês passado, os aparelhos da Toshiba serão produzidos nas unidades da companhia em Manaus (AM) e em Extrema (MG). A meta é fabricar 1 milhão de televisores por ano  em cinco anos, diz o vice-presidente de produto, André Poroger. Segundo ele, com a parceria, a empresa obtém tecnologia e consegue preços competitivos de igual para igual com as fabricantes coreanas.

Um dos fatores que levaram a companhia apostar no mercado de TVs foi a mudança no uso dos aparelhos: "A televisão se transformou numa plataforma de acesso à internet." Poroger argumenta que a empresa é forte em informática, líder em tablets, por exemplo. E, com a mudança  no uso da TV, houve uma convergência entre os segmentos de informática e de vídeo.

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Conheça a história das marcas brasileiras que vão buscar espaço no mundo das TVs

Multilaser, Britânia e Mondial têm algo em comum: são empresas e familiares e que se popularizaram em outros segmentos

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2021 | 10h00

Há mais de 30 anos no mercado, a Multilaser é uma empresa familiar, comandada desde 2003 por Alexandre Ostrowiecki, filho do fundador. A empresa começou fabricando cartuchos para impressora e avançou para outros segmentos. Foi uma das primeiras a lançar o tablet no País. Hoje é uma das principais fabricantes de eletroeletrônicos. São cerca de 5 mil produtos nos segmentos de informática, telecomunicações, esportes, itens automotivos e brinquedos distribuídos por 20 marcas, vendidos por 40 mil pontos de venda no País.

Uma das estratégias da empresa tem sido firmar parcerias para chancelar os produtos com grandes marcas, como ocorreu recentemente com a Toshiba para os novos televisores. A companhia tem parceria também com HMD, que detém a marca Nokia para celulares, entre outras.

Com duas fábricas, uma na Zona Franca De Manaus (AM) e outra em Extrema (MG), e um laboratório de tecnologia e engenharia na China, a companhia emprega  3 mil pessoas e fatura R$ 3 bilhões por ano.

Britânia vai da cozinha para a sala

Fundada em 1956, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba(PR), a Britânia é uma empresa familiar, de capital fechado,  que começou produzindo fogareiros, fogões e móveis metálicos . Na década de 1980 ingressou em eletroportáteis e,em meados dos anos 1990, em ventilação.

Em 2002, avançou para categorias de maior porte, como batedeiras e posteriormente refrigeradores, fornos de micro-ondas, aparelhos de ar condicionado, por exemplo. São mais de 1.500 produtos e atualmente a companhia é  dedicada à fabricação de eletroportáteis e eletroeletrônicos.  E o velho fogareiro, dos primórdios da empresa, virou hoje o moderno cooktop.

Com fábricas em  Manaus (AM), Joinville (SC) ,onde também tem um centro de distribuição, e escritórios em Curitiba (PR) e na China, a empresa emprega diretamente mais de 5 mil pessoas. A companhia não revela o faturamento nem os investimentos realizados nos últimos anos. Mas a grande aposta neste momento é explorar a marca Britânia, indo da cozinha para a sala, com as TVs.

Com a fábrica da Sony, Mondial e avança em TVs

A Mondial, empresa de capital fechado e líder no mercado de eletroportáteis, começou em 2000 em Sorocaba(SP) produzindo ventiladores e liquidificadores. Dois anos depois inaugurou e uma fábrica em Camaçari (BA), posteriormente transferida para uma unidade três vezes maior do que a primeira em Conceição de Jacuípe (BA).

Em 2005. iniciou atividades na China. Primeiro com o primeiro com escritório em Ningbo em 2007 e depois com uma base em Guangzhou, em 2009. Nesse período foram agregados novos produtos, como batedeira, processador, secador de cabelo, airfryer, furadeira, entre outros. Hoje são 401 produtos.

O grande salto ocorreu no ano passado, com a compra da fábrica da Sony em Manaus (AM), uma unidade quase sete vezes maior do  que a companhia operava desde 2014 na Zona Franca. De lá já estão saindo caixas acústicas, aparelhos de som. Mas o avanço ocorre a partir de setembro e outubro, quando a empresa começa a fabricar de forno de micro-ondas e TVs, respectivamente, seguido pelos aparelhos de aparelhos de ar condicionado.

A companhia emprega diretamente 4,3 mil trabalhadores, fechou 2020 com faturamento de R$ 3 bilhões  e registra crescimento na casa de dois dígitos de vendas este ano.

 

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