Chevron diz que novo vazamento é diferente do anterior

A Chevron, segunda maior companhia de petróleo dos Estados Unidos, informou nesta quarta-feira que o último vazamento de petróleo no campo "offshore" do Brasil é diferente do vazamento de novembro, sugerindo que os dois acontecimentos não estão relacionados.

JEB BLOUNT E JOSHUA SCHNEYER, REUTERS

21 de março de 2012 | 13h32

O petróleo que aflorou da rachadura encontrada este mês a 3 km do vazamento de novembro da Chevron -que derramou 2.400 barris, gerando um pedido de indenização de 20 bilhões de reais e acusações criminais- é muito "mais pesado" e possui características químicas diferentes da do derramamento anterior, disse a companhia à Reuters.

"Não há evidência de que as duas rachaduras estejam relacionadas", disse o porta-voz da Chevron, Kurt Glaubitz, em e-mail à Reuters.

"As amostras de petróleo coletadas da segunda rachadura e analisadas pelo IPEX no Brasil e revisadas pela Chevron indicam que o petróleo não vem da reserva produtora do campo de Frade."

A Chevron disse que o petróleo da rachadura recém-encontrada não possui traços de "lama" de perfuração, sugerindo que não é um vazamento residual ou uma nova complicação do ocorrido em novembro. Cerca de apenas 1 barril de petróleo mais pesado foi detectado no novo vazamento.

Em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira, a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), disse que ainda não recebeu nenhum teste da Chevron que comprove que o óleo do primeiro vazamento seja diferente do segundo.

Como precaução após o segundo vazamento, a Chevron interrompeu a produção no campo de Frade, de 61.500 barris por dia, e irá completar um novo estudo geológico do prospecto de Frade com seus parceiros, incluindo a Petrobras. A Chevron gastou mais de 2 bilhões de dólares desenvolvendo campo.

Os comunicados da Chevron vêm à medida que os executivos da empresa, e sua contratante para perfuração, a Transocean, podem enfrentar acusações criminais na quarta-feira, por alegados crimes ambientais relacionados com o derramamento de novembro.

Esse vazamento veio após um aumento de pressão que forçou a Chevron a fechar um novo poço de produção em Frade.

A descoberta de uma nova rachadura no campo de Frade este mês levou a acusações por um procurador federal brasileiro de que a perfuração da Chevron tem levado a falhas perigosas no reservatório de petróleo submarino em Frade, que poderia ser danificado e eventualmente vazar muito mais petróleo.

"Esta afirmação não é consistente com os fatos", disse Glaubitz.

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