Chevron suspende temporariamente produção no Brasil

A Chevron suspendeu temporariamente a sua produção de petróleo no Brasil, após dois incidentes com vazamentos em um intervalo de quatro meses, mas a empresa informou também que a suspensão não muda os planos de investimentos no país.

LEILA COIMBRA, REUTERS

19 de março de 2012 | 19h41

A companhia era a segunda maior petrolífera do país, atrás apenas da Petrobras.

Na semana passada, a multinacional já havia cortado seu volume de exploração em campos brasileiros pela metade, caindo para quarto lugar no ranking de produção da Agência Nacional de Petróleo (ANP), cedendo lugar à Shell e à Statoil.

Segundo a empresa, até a semana passada, a produção estava em 31,8 mil barris diários líquidos, volume 56 por cento menor que os 73,2 mil barris diários líquidos de petróleo retirados em novembro de 2011, quando ainda não havia ocorrido nenhum derrame no campo operado pela petrolífera norte-americana.

A companhia anunciou na semana passada que ocorreu um segundo vazamento na bacia de Campos, no campo de Frade, a três quilômetros do poço onde ocorreu, em novembro do ano passado, outro incidente envolvendo a empresa.

A companhia pediu autorização para suspender temporariamente as operações de produção no campo Frade como medida preventiva.

Nesta segunda-feira, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) divulgou nota afirmando que autorizou a Chevron a suspender as operações na noite da última sexta-feira.

PLANO MANTIDOS

Segundo a empresa, a paralisação será apenas por alguns meses e não comprometerá os planos de investimentos no Brasil, que estão mantidos.

A multinacional argumentou que o segundo derrame foi de pequenas proporções e anunciou que já foram colocados três dispositivos de contenção para interromper o vazamento.

A mancha aconteceu no dia 4 deste mês e só na última semana os técnicos da Chevron descobriram a sua origem, uma fissura de 800 metros de comprimento.

A agência reguladora autuou novamente a Chevron porque a petroleira norte-americana não teria tomado as medidas necessárias para evitar a volta das exsudações no solo marinho, após quatro meses do primeiro vazamento.

A Chevron, contudo, afirmou em conferência de imprensa na semana passada que não há evidências ainda de que o segundo vazamento tenha relação com o primeiro.

ANP

O órgão regulador disse nesta segunda-feira que técnicos constataram, através das filmagens submarinas, cinco pontos com o aparecimento de "gotículas de óleo, em uma vazão reduzida, ao longo de uma fissura de 800 metros".

A ANP disse também que criou um comitê formado por técnicos da Chevron, operadora do campo, da Petrobras e da Frade Japão Petróleo Ltda, que detêm participação na concessão, que apresentarão estudos e informações complementares.

O Ministério de Minas e Energia atuará como observador do comitê de avaliação, que será coordenado pela ANP, disse a agência em nota.

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