China faz apelo para EUA solucionarem impasse fiscal

País é o maior detentor de papéis da dívida norte-americana; nesta quinta-feira, 17, será atingido o prazo máximo para o teto da dívida ser elevado

Reuters,

15 de outubro de 2013 | 07h58

(Texto atualizado às 8h30)

PEQUIM - O vice-ministro das Finanças da China, Zhu Guangyao, cobrou que o governo dos Estados Unidos tome "medidas concretas" para impedir o abismo fiscal e evitar o default de bônus da dívida.

Esse é o mais recente alerta do país que é o maior detentor de papéis da dívida norte-americana dois dias antes de ser atingido o prazo do teto da dívida. Os comentários foram feitos durante encontro entre os governos chinês e britânico nesta terça-feira, 15.

Ele também fez um apelo para que os EUA se responsabilizem pela estabilidade dos mercados financeiros. "No longo prazo, os Estados Unidos precisam lidar com o impasse fiscal, precisam elevar o teto do limite da dívida rapidamente e manter a promessa de não ocorrer o default dos bônus do Tesouro, mantendo o ímpeto saudável da economia norte-americana e evitando o impacto na economia global", disse o vice-ministro.

Acordo próximo

Senadores dos Estados Unidos disseram estar se aproximando de um acordo para viabilizar a reabertura dos órgãos públicos federais e adiar em vários meses uma possível moratória da dívida norte-americana, embora ainda há muitos obstáculos a serem superados até quinta-feira, 17.

Os líderes republicano e democrata no Senado se disseram otimistas com a perspectiva de que um acordo possa ser fechado em breve para evitar um calote da dívida e reabrir o governo dos EUA, que está parcialmente paralisado há 14 dias.

"Estou muito otimista de que nós vamos chegar a um acordo que seja razoável nesta semana", disse o líder democrata, Harry Reid, no plenário do Senado.

Os congressistas estão correndo contra o tempo, com as autoridades estimando que o governo federal vai exaurir sua capacidade de tomar empréstimos no dia 17 de outubro.

O plano em discussão elevaria o teto da dívida, atualmente de US$ 16,7 trilhões, o suficiente para cobrir as necessidades de empréstimo do país até pelo menos meados de fevereiro de 2014, de acordo com uma fonte familiarizada com as negociações.

O plano também garantiria o financiamento das operações do governo até meados de janeiro, mantendo o corte generalizado dos gastos, o chamado sequestro, que começou a valer em março. Além disso, o plano prevê uma nova rodada de negociações orçamentárias até o fim do ano.

Qualquer acordo definido no Senado ainda precisa ser aprovado na Câmara dos Deputados, onde republicanos conservadores condicionam as medidas à redução de gastos públicos, inclusive do programa de saúde pública conhecido como Obamacare - algo que os democratas rejeitam.

O acordo não resolveria discordâncias sobre os gastos no longo prazo e o programa de saúde, que foram o estopim do impasse fiscal nos EUA, o que representaria, portanto, um recuo por parte dos republicanos.

Os republicanos sofreram um baque nas pesquisas de opinião desde que o impasse fiscal começou e alguns no partido se preocupam que isso possa prejudicar suas chances de ganhar o controle do Senado nas eleições legislativas do próximo ano.

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