China não cede nas negociações de preço de minério de ferro

Siderúrgicas chinesas não cederam nem um pouco nas negociações anuais de preços do minério de ferro, afirmou um executivo da indústria nesta quarta-feira, negando notícias de que as empresas poderiam minimizar a exigência de corte de 40 por cento.

ALFRED CANG E TOM MILES, REUTERS

20 de maio de 2009 | 10h16

O setor siderúrgico da China, o maior do mundo, tradicionalmente estabelece a cada ano uma referência global de preços do minério de ferro após longas negociações com as três principais mineradoras que dominam o segmento: Vale, Rio Tinto e BHP Billiton.

"A posição do lado chinês nunca mudou", disse Shan Shanghua, secretário-geral da Associação de Ferro e Aço da China (Cisa, na sigla em inglês), à Reuters em uma entrevista por telefone. "Qualquer notícia sobre nossas mudanças é especulação".

Shan negou notícias publicadas nesta quarta-feira de que a Cisa poderia aceitar um corte de preço entre 30 e 35 por cento.

A indústria siderúrgica chinesa tem reiterado sua visão de que os preços do minério de ferro devem cair pelo menos até 40 por cento, para os níveis de 2007/08, conforme o setor sofre com a fraca demanda.

"Nós insistimos em três princípios durante a negociação: a relação entre a oferta e a demanda, o equilíbrio dos custos de produção e dos lucros racionais entre os dois lados", acrescentou Shan. "Estes são nossos princípios. Não é sustentável produtores de minério de ferro manterem uma alta margem de lucro, enquanto as siderúrgicas registram perdas. Isso é questão de senso comum", disse ele.

PERDAS NO SETOR SIDERÚRGICO

Shan afirmou que concorda com um comentário feito pelo presidente do conselho da Baosteel durante o final de semana de que o setor siderúrgico chinês pode registrar prejuízo em 2009 devido à produção excessiva. Ele completou que as siderúrgicas devem reduzir a produção, já que a economia ainda não se recuperou.

"Até agora nós estamos produzindo em uma taxa equivalente à produção anual de 520 milhões de toneladas, contra meta fixada pelo ministério de 470 milhões de toneladas. Nós teremos um enorme estoque", disse ele.

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China emitiu uma notificação pedindo que bancos comerciais restrinjam ou cortem crédito para siderúrgicas que estão "expandindo cegamente sem considerar o mercado".

O comunicado afirma que a produção de aço foi "seriamente excessiva" e as importações de minério de ferro também mostram níveis exagerados de crescimento, criando riscos maciços para a indústria.

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