Jose Manuel Ribeiro/Reuters
Jose Manuel Ribeiro/Reuters

China Three Gorges oferece R$ 39 bi para assumir controle da Energias De Portugal

Eventual fusão dos negócios da CTG no Brasil com a unidade local da EDP criaria a maior empresa de geração privada do País em capacidade instalada

Reuters

11 Maio 2018 | 20h33

A companhia estatal chinesa China Three Gorges divulgou nesta sexta-feira, 11, uma oferta com o valor total de € 9,07 bilhões (R$ 39 bilhões) para assumir o controle da maior empresa portuguesa, a Energias de Portugal (EDP), oferecendo um prêmio de quase 5%  sobre o preço de fechamento das ações da elétrica. A oferta exclui uma participação de 23% já detida pela CTG na companhia, afirmou, em comunicado em Lisboa, a companhia asiática, que é a maior acionista da EDP.

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As notícias publicadas na imprensa internacional movimentaram as ações das empresas portuguesas e também de sua subsidiária no País, a EDP Energias do Brasil, que encerrou o pregão com alta 15,56%, na máxima. Uma eventual fusão dos negócios da CTG no Brasil com a unidade local da EDP criaria a maior empresa de geração privada do País em capacidade instalada, ultrapassando a francesa Engie.

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Reportagens que indicavam a EDP como um possível alvo de aquisição por grandes companhias estrangeiras da Europa têm circulado há mais de um ano, período durante o qual a CTG continuou a aumentar sua participação na empresa, o que culminou na oferta de € 3,26 euros por ação da empresa.

A CTG disse em seu anúncio preliminar sobre a oferta que quer chegar a pelo menos 50% das ações com direito a voto mais uma ação ordinária na companhia. Ela também ofereceu € 7,33 por ação da unidade de energia eólica da companhia, EDP Renováveis, um valor abaixo do preço de fechamento, de € 7,84.

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O valor de mercado da EDP é de quase € 11,4 bilhões, pelo fechamento desta sexta-feira. A empresa atende cerca de 10 milhões de clientes do mercado de eletricidade e 1,6 milhão de clientes de gás natural e possui mais de 330.000 km de linhas de transmissão de energia.

Já no caso da EDP Renováveis, a CTG não detém participação e a OPA é obrigatória. A chinesa afirma que pretende manter o caráter autônomo da companhia, bem como a sua orientação estratégica em relação ao negócio que desenvolve.

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A operação acontece após rumores de um movimento de consolidação do setor elétrico europeu. Uma das mais recentes especulações envolveu uma possível negociação envolvendo a EDP e a francesa Engie, o que foi negado pela empresa portuguesa.

A CTG informa que a oferta ainda está sujeita à obtenção de registro prévio pela CMVM das ofertas e a aprovações e autorizações necessárias de acordo com a lei portuguesa, além da alteração dos estatutos da companhia.

O governo português não tem objeções à proposta, disse o primeiro-ministro Antonio Costa a jornalistas mais cedo nesta sexta-feira.

A EDP é a maior companhia de Portugal em ativos e possui negócios também no Brasil, na Espanha e nos Estados Unidos.

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