Felipe Rau/Estadão
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Shopee dobra aposta no País e já incomoda Magazine Luiza e Casas Bahia

Operação da gigante de e-commerce criada em Cingapura cresceu 320% no Brasil no 4.º trimestre de 2021, na comparação com o ano anterior, motivando inauguração de novo escritório em SP

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2022 | 05h00
Atualizado 03 de maio de 2022 | 19h17

A gigante asiática Shopee, braço de comércio eletrônico da Sea Limited, está perto de dobrar sua aposta no Brasil. Com uma operação local com mais de 1,5 mil funcionários, a companhia acaba de inaugurar seu segundo escritório na capital paulista, na região do Largo da Batata, em Pinheiros. No novo local, estará ao lado de outras empresas do setor de tecnologia, que deram um salto ao longo da pandemia diante da maior digitalização do consumidor brasileiro.

Já incomodando players locais, como Magazine Luiza, Via (dona de Casas Bahia e Ponto Frio) e Americanas, a companhia vem ganhando espaço no e-commerce do País. No balanço da Sea Holding, que tem sede em Cingapura, há um destaque sobre o crescimento no Brasil. Só no quarto trimestre de 2021 foram realizadas 140 milhões de vendas, levando a uma receita de US$ 70 milhões (cerca de R$ 350 milhões) no período, expansão de 320% na comparação com ano anterior.

“A Shopee já alcançou uma forte tração no País, e acredito que podemos crescer ainda mais. Continuaremos dedicando os recursos certos para ajudar a aumentar nosso impacto no País”, afirmou a líder de recursos humanos da Shopee, Karina Hartung, em entrevista realizada por e-mail, “por determinação global”.

Apetite regional

O crescimento do e-commerce no País já começou a ser embutido nas análises das instituições financeiras. O norte-americano JPMorgan, por exemplo, prevê que a companhia invista US$ 1,5 bilhão apenas na América Latina neste ano. O Goldman Sachs projetou que a participação de mercado da varejista asiática na região poderá chegar a 20% já em 2025.

No ano passado, os números coletados por esse mercado já comprovavam o fenômeno com o crescimento da Shopee, ao lado das “conterrâneas” AliExpress e Shein. Levantamento da NielsenQ Ebit mostrou um disparo do comércio cross border (em que o cliente faz uma compra online e o produto vem de outro País), que cresceu 60% em 2021 e somou vendas de R$ 218,9 bilhões, na esteira das empresas asiáticas. Essa expansão levou as varejistas brasileiras a montar uma ofensiva contra o e-commerce asiático, pedindo medidas ao governo federal para barrar esse crescimento.

Questionada sobre isso, Karina afirma que a Shopee é brasileira. “Temos operação no Brasil desde 2019, com CNPJ e sede na cidade de São Paulo, onde acabamos de inaugurar nosso segundo escritório. Além disso, vale destacar que mais de 85% das nossas vendas são de vendedores locais”, diz, lembrando os 2 milhões de vendedores brasileiros já registrados na plataforma. Karina também afirma que a companhia está aberta a colaborar com o governo e órgãos reguladores.

No resto do mundo, porém, a Sea Limited, dona da Shopee, sente os efeitos do contexto macroeconômico. Listada em Nova York, hoje ela possui um valor de mercado de um pouco mais de US$ 46 bilhões, 60% a menos do que no início de 2022.

Subsídio ao cliente

Para o especialista em varejo e fundador da Varese Retail, Alberto Serrentino, o rápido crescimento da Shopee no Brasil se deve a um grande esforço para entrada no País, que se reflete em investimentos tanto em mídia quanto em subsídios para o frete. “É difícil imaginar que a operação esteja em um nível sustentável de rentabilidade.”

Serrentino lembra ainda que, ao contrário da AliExpress, por exemplo, a Shopee se dedica a buscar vendedores brasileiros para sua plataforma. Ele diz, contudo, que a logística é uma barreira. O especialista diz que o gigante Mercado Livre investiu pesado nesse setor por anos, garantindo uma forte presença em solo nacional.

(Erramos: Ao contrário do que inicialmente afirmava a reportagem, a Shopee não é chinesa, e sim de Cingapura)

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