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Chineses compram 15% de mina de nióbio em Araxá por US$ 1,95 bi

A maior mina do mundo de nióbio pertence à Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), do grupo Moreira Salles

O Estado de S. Paulo,

01 de setembro de 2011 | 23h13

Um grupo de empresas chinesas acertou a compra, por US$ 1,95 bilhão, de 15% da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), a maior produtora mundial de nióbio, que pertence ao grupo Moreira Salles. Em março, o grupo brasileiro já havia vendido 15% da mineradora, por US$ 1,8 bilhão, para um grupo de empresas asiáticas, entre elas as japonesas Nippon Steel e JFE e a coreana Posco.

Entre as empresas chinesas estão o Citic Group, Anshan Iron & Steel Group Corporation, Baosteel Group Corporation, Shougang Corporation e Taiyuan Iron & Steel Group.

Em nota, a CBMM confirmou a operação, acrescentando que o "Brasil possui as maiores reservas conhecidas de nióbio do mundo, de acordo com dados de agências oficiais, e a CBMM detém os direitos às maiores e mais ricas reservas de nióbio já identificadas. O investimento é de grande valor estratégico tanto para as companhias chinesas quanto para a CBMM".

A demanda mundial por nióbio registrou crescimento anual de cerca de 10% ao ano de 2002 a 2009, em função da crescente necessidade por aços especiais. Estima-se que a demanda futura para o nióbio continue a crescer mais rápido do que a produção de aço, graças à contínua inserção tecnológica do nióbio na produção siderúrgica.

Aplicação. A CBMM, com sede em Araxá (MG), controla mais de 80% do mercado mundial do nióbio. O metal é fundamental para a produção de aços inoxidáveis especiais, e é caracterizado pela estabilidade quando está em contato com agentes químicos. Também é utilizado na fabricação de ligas de metais não ferrosos, como as usadas em oleodutos e gasodutos.

Por suas propriedades, também é largamente utilizado em indústrias nucleares. Grande quantidade de nióbio é utilizada em superligas para a fabricação de motores de jatos e subconjuntos de foguetes - equipamentos que necessitam de alta resistência à combustão. Pesquisas avançadas com este metal foram usadas em programas da Nasa.

A mineradora brasileira, com mais de 800 milhões de toneladas de reservas, processa, manufatura e vende produtos a base de nióbio, de acordo com informações obtidas em seu site na internet. O Brasil é o maior produtor de nióbio do mundo - foi responsável por 80 mil das 83 mil toneladas produzidas no mundo em 2010.

A China, segunda maior economia mundial, está em busca de reservas estratégicas de recursos chave em todo o mundo para suprir a alta demanda de sua indústria, em particular de terras raras. Em março, a compra da participação de 15% na CBMM por um grupo de empresas principalmente do Japão e Coreia já tinha sido vista no mercado como uma resposta à busca da China por matérias-primas.

"Por trás do negócio está a crescente demanda por nióbio na China e a agressiva estratégia do país para assegurar oferta no exterior, porque sua produção doméstica é limitada", disse na ocasião Kaz Machida, presidente da consultoria Kay International.(Com agências internacionais)

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