Chuvas ajudam milho 2a safra do Brasil, mas geadas geram tensão

No que diz respeito à necessidade dechuvas, a segunda safra de milho do Brasil está sedesenvolvendo bem e caminha para confirmar as melhoresexpectativas, após as precipitações desta semana nos principaisprodutores, o Paraná e o Mato Grosso, disseram fontes do setorprodutivo e do governo. Mas o fantasma das geadas para as lavouras do Paraná, comos padrões climáticos neste ano apontando para uma maiorprobabilidade da ocorrência desse fenômeno no Brasil, atormentaos produtores de milho da segunda safra (safrinha), cujaprodução é vista como garantia da formação de excedenteexportável para o país. O Paraná deve colher 6,47 milhões de toneladas de milhosafrinha, segundo o Ministério da Agricultura, e o Mato Grosso,6,46 milhões de toneladas --os dois Estados, se as previsões seconfirmarem, devem responder por 70 por cento da produçãorecorde nacional da segunda safra de milho, estimada em 18,2milhões de toneladas. "Foi ótimo, tivemos quantidades consideráveis de chuva nosdias 28 e 29... Podemos dizer que o ambiente de preocupação como déficit hídrico foi amenizado... Mas agora existe risco deperda por geada pela primeira vez no ano para o milhosafrinha", disse a agrônoma da Secretaria de Agricultura doParaná, Margorete Demarchi, por telefone. Ela se referia às geadas com intensidades leve e moderadaprevistas para sábado, para a maior parte do Estado (vejadetalhes no link: http://www.simepar.br ). Segundo Margorete, as geadas esperadas para o final desemana deverão ocorrer em uma área maior do que as registradasno início do mês, podendo pegar até mesmo importantes regiõesprodutoras, como Campo Mourão, Toledo e Cascavel. "A preocupação maior é com geadas, estamos com 90 por centoda safra de milho safrinha ainda suscetível a geadas. É lógicoque a geada não vai pegar toda a safra, mas é uma preocupação",acrescentou o gerente econômico da Organização das Cooperativasdo Parana (Ocepar), Flávio Turra. Sobre a necessidade hídrica para a confirmação da safra,Turra mostrou-se um pouco mais otimista do que a agrônoma. "Quando se pensa em déficit hídrico, a situação já estámelhor. Com essa chuva, aquele milho em fase de frutificação eaté mesmo maturação, ele está salvo", disse. Margorete, por outro lado, citou dados que apontam chuvasrazoáveis em Londrina nesta semana, mas lembrou que asprecipitações não foram tão intensas em Cascavel e Toledo, porexemplo, onde está 36 por cento da safrinha do Estado. Nas regiões de Toledo e Palotina, choveu pouco, apenas 5 a10 milímetros nesta semana, após um período de mais de 20 diassem precipitações. "Se existir déficit hídrico na floração, é perdairreversível", destacou ela, observando que mais de 50 porcento da lavoura do Estado está nessa fase. MATO GROSSO Em Mato Grosso, onde o plantio foi feito tardiamente nesteano em função de um atraso na colheita de soja, a situação domilho segunda safra está tranquila, uma vez que não faltouchuva, o principal risco para a cultura. "Ontem choveu bastante em alguns locais... Ainda é cedopara falar, mas é difícil dizer que não vai ser tão boa asafra", afirmou Maria Amélia Tirloni, analista do Imea(Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola), ligado aosprodutores. Questionada se a expectativa de safra do ministério seriaalcançada, ela afirmou: "Pode ser isso ou um pouco mais, mas émelhor esperar para sair do campo. O clima foi muito bom". O Mato Grosso intensifica a colheita em junho, e o Paraná,em julho.

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