Ciclo de alta do juro será gradual, dizem economistas

Para economistas, o comunicado após a reunião do Copom indica novas pequenas altas por período de tempo menor que o esperado pelo mercado 

Francisco Carlos de Assis, Márcio Rodrigues e Flavio Leonel, da Agência Estado,

18 de abril de 2013 | 08h41

SÃO PAULO - O tamanho do reajuste do juro e o uso da palavra "cautela" foram um sinal de que o Banco Central (BC) deverá adotar uma posição gradualista no atual ciclo de aperto monetário. Esta é a opinião de grande parte dos economistas consultados pelo Broadcast nesta quarta-feira, após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter anunciado um aumento de 0,25 ponto porcentual - e não de 0,50 ponto como esperava a maioria do mercado - na taxa Selic. Essa decisão deve fazer, de acordo com os analistas, com que a curva de juros no mercado futuro entre em processo de ajuste nesta quinta-feira.

Na opinião do diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, Octavio de Barros, a decisão do colegiado do BC foi bastante serena, indicando que a autoridade monetária não abandonou a "cautela" sobre a qual vinha falando há tempos. "Com isso, entendo que o mandato de altas de 0,50 ponto porcentual foi definitivamente sepultado", disse o economista. "É evidente que o BC continuará monitorando o cenário", disse o diretor do Bradesco.


O diretor do Bradesco achava que não era necessário o BC elevar a Selic porque "o cenário internacional só piora e é inequivocamente desinflacionário e não neutro como se supunha." Além disso, de acordo com ele, o cenário de commodities é "escancaradamente" para baixo, ao ponto de começar a trazer dúvidas sobre a balança comercial.

O economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, também concorda que o conteúdo mais leve que o esperado do comunicado do Copom deve levar o mercado financeiro a interpretar que existe uma sinalização de novas altas pequenas por um período de tempo menor do que o aguardado anteriormente pelos economistas.

"Particularmente, achei o comunicado e o resultado da decisão bastante dovish (suave)", comentou Oliveira, que previa um aumento de 0,50 ponto porcentual na taxa básica de juros em abril, após as diversas sinalizações dadas recentemente por integrantes da equipe econômica. "Acredito que o mercado pode agora precificar um ciclo de aperto total muito curto e inferior a 100 pontos-base", avaliou.

Para o economista, como a votação do Copom foi dividida e dois diretores do Banco Central votaram pela manutenção da taxa, é provável uma conduta mais cautelosa nas próximas reuniões do BC. "A sinalização é de que é menos, e não mais", disse, lembrando que ainda é necessário ler com muito cuidado a ata da reunião do Copom de abril para uma conclusão final.

Segundo a economista do Banco Santander Tatiana Pinheiro, esta minoria formada pelos dois dissidentes do Copom deverá ganhar força no decorrer das próximas reuniões, o que fará com que o ciclo de alta do juro básico seja curto, de apenas três elevações de 0,25 ponto, sendo os próximos em maio e julho.

Segundo Tatiana, essa divergência de visões dentro do colegiado é embasada por um crescimento baixo no Brasil e pela incerteza no cenário externo, conforme mostrou o comunicado do Copom nesta noite.

Na avaliação do economista-chefe do J.Safra, Carlos Kawall, a ideia de um ciclo curto e contundente, como chegou a apostar parte do mercado financeiro, caiu por terra, pelo menos por ora. "Mesmo porque, nesse tipo de ciclo corre-se o risco de errar nos dois casos. Ser contundente em um mundo desinflacionário e com recuperação moderada poderia causar efeito negativo sobre a economia doméstica mais forte do que o desejado. Se o ciclo fosse curto, corria-se o risco de descobrir mais a frente que a inflação voltou a ser um problema", pontuou o economista.

Ainda de acordo com Kawall, a vantagem para o BC em usar passos menores é ter a liberdade para acompanhar o que acontece com a inflação, com a atividade e também com a economia mundial. "A extensão do ciclo de aperto, no entanto, fica um pouco em aberto. Mas o BC já deu sinais sobre os parâmetros que usará para chegar até o fim do ciclo", completou.

Curva de juros. Para o economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, a elevação de 0,25 ponto porcentual da Selic deve provocar ajuste importante na curva de juros nesta quinta-feira. Isso porque, segundo ele, a maioria dos investidores apostava em um aperto de intensidade maior. Por isso, as taxas de juros de curto prazo devem recuar, enquanto as longas tendem a subir.

"A curva de juros terá que se ajustar amanhã, com queda importante no trecho curto e recomposição das taxas longas. O mercado dava como praticamente certa duas altas consecutivas de 0,50 ponto. E pela decisão dividida e pelo uso do termo 'cautela' no comunicado, as apostas para a próxima reunião ficarão mais para o 0,25 pp do que para o 0,50 pp", afirmou Serrano.

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