Werther Santana|Estadão Conteúdo
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Citi traça meta de crescer 50% no Brasil, mas cobra responsabilidade fiscal do governo

Banco americano traça meta para os próximos três anos, mas diz que metas – que incluem novas contratações – dependem de respeito ao teto de gastos e de investimentos em infraestrutura

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2022 | 14h28

O banco norte-americano Citi está pronto para crescer no Brasil, depois de apresentar o melhor resultado em uma década no País. A instituição financeira quer crescer 50% nos próximos três anos no mercado local. Essa expansão também se refletirá no número de pessoal: dos 1,9 mil funcionários no Brasil, o Citi passará  para 2,2 mil pessoas ao fim do prazo. 

Segundo o presidente da filial brasileira do banco norte-americano, Marcelo Marangon, o cronograma de expansão começa em meio à campanha para as eleições presidenciais de outubro. O executivo aponta, contudo, que a base para esse plano é que o País mantenha, independentemente do nome do próximo presidente, responsabilidade fiscal, com respeito ao teto de gastos, investimentos em infraestrutura e crescimento do emprego.  

“A disciplina fiscal dará o tom do mercado financeiro”, comenta. “Nosso foco de mercado é nossa grande fortaleza e nos deixa seguros para anunciar esse crescimento neste ano eleitoral”, explica. Hoje o Citi trabalha, essencialmente, com grandes empresas, no geral mais protegidas das volatilidades.

O Citi é o nono banco do País em ativos, mas o segundo maior estrangeiro. O executivo aponta que a filial apresentou  o maior resultado dos últimos dez anos – o resultado veio cinco anos após a venda da operação de varejo no Brasil ao Itaú Unibanco. O plano de crescimento agressivo no País ocorre após o Citi no Brasil alcançar um crescimento de 36% no lucro líquido no ano passado, para quase R$ 1,7 bilhão.

No Brasil o banco  possui R$ 133,7 bilhões em ativos totais (aumento de 28% em um ano) e um patrimônio líquido de R$ 10,6 bilhões, ainda de acordo com o balanço de 2021. Marangon frisa que o Citi Brasil é a sétimo maior banco de atacado (destinado a empresas) globalmente para o banco, presente em 95 países. “Não está nos nossos planos no curto prazo voltar ao varejo no Brasil”, frisa.

O executivo afirma que o Citi tem investido em sua área de mercado de capitais, o que refletiu em uma maior participação nas transações.  No ano passado, o banco participou de 26 operações de ofertas de ações e, neste ano, tem estado presentes nas operações de empresas já listadas (os follow ons).  

A Bolsa brasileira já recebeu neste ano R$ 90 bilhões de investidores estrangeiros. Segundo o executivo, o ritmo de entrada pode não se manter, mas ele não vê um movimento de saída desses recursos. 

Volatilidade

Marangon afirma que o País tende a se beneficiar nesse momento de crise, sob o contexto da Guerra na Ucrânia, principalmente por conta de ser um grande exportador de commodities. Globalmente, o Citi é um dos bancos mais expostos à Rússia, com US$ 9,8 bilhões em ativos, mas o executivo lembra que olhando no consolidado, a fatia é de apenas 0,3%.

O presidente do Citi Brasil diz que as grandes empresas brasileiras trocaram suas dívidas mais caras por mais baratas ao longo dos últimos anos – por isso, não devem sofrer com a alta dos juros. Outro cenário, contudo, deverá ser sentido pelas empresas menores, com a Selic alta pressionando o custo de suas dívidas. O executivo lembra que os índices de inadimplência do banco estão confortáveis e não tendem a subir, visto que a instituição financeira trabalha tcom foco as grandes empresas.

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