Citros: americano busca parceria, mas não fala sobre indústrias

Ribeirão Preto, 22 - Citricultores norte-americanos negociam parcerias com brasileiros na busca de novos mercados, na elaboração de estimativas conjuntas de safra, no aumento do consumo do suco e na normatização do uso de pesticidas. Mas fogem do assunto quando questionados sobre seus relacionamentos com a indústria processadora de suco, de acordo com o relato do presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas, que liderou uma missão brasileira do setor nos Estados Unidos. O grupo, com sete integrantes, entre citricultores, viveiristas e pesquisadores, voltou ontem da viagem feita a convite do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e, segundo Viegas, foi muito bem tratado pelos concorrentes. "Nós devemos manter essa parceria e acho que deveremos receber visitas dos produtores norte-americanos em breve, provavelmente para alguma reunião da Câmara Setorial da Citricultura. Já que eles não conseguem nos tirar do mercado, acham melhor agir em conjunto", disse Viegas, também presidente da entidade consultiva ao Ministério da Agricultura. De acordo com ele, entre as propostas de parceria está a luta para aumentar de 11,3 para 11,8 o índice aceitável de graus brix (percentual de sólidos), no suco de laranja reconstituído na Europa, o que aumentaria o consumo da fruta. Viegas cita ainda a necessidade da normatização do uso de defensivos nos pomares brasileiros, "já que a questão ambiental será utilizada quando as barreiras tarifárias caírem". Entretanto, de acordo com o presidente da Associtrus e crítico ferrenho da indústria processadora brasileira, quando o assunto tratado nos encontros era o relacionamento com os empresários do setor, "eles procuravam desconversar e falavam muito vagamente", completou. De volta ao Brasil, Viegas prepara a próxima reunião da Câmara Setorial da Citricultura, que acontece na segunda-feira (29), na Estação Experimental de Bebedouro (SP).

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