Citros: Citrovita deve dobrar produção em unidade adquirida

Ribeirão Preto, 1 - Com a compra da Sucorrico e com a produção contratada até 2007, a empresa Citrovita deve dobrar a produção de suco de laranja da unidade de Araras, considerada uma das mais modernas do País. A compra é considerada estratégica pela empresa do Grupo Votorantim, pois a empresa resolverá, com o aporte no processamento, um problema logístico, já que boa parte de sua laranja está ao sul do parque citrícola paulista, próximo à unidade adquirida. "Realmente a intenção da Citrovita é ampliar de 30 para 60 o número das unidades extratoras de suco na fábrica", admitiu o presidente da Sucorrico, Lair Antonio de Souza. Com a aquisição e com o aumento da produção, a Citrovita passará a ser a terceira maior processadora e exportadora de suco do País com cerca de 15% do mercado, ultrapassando a Coinbra, do grupo francês Louis Dreyfus com cerca de 12%, e ficando atrás das brasileiras Cutrale e Citrosuco que possuem em torno de 35% cada. Se a Sucorrico fala abertamente do acordo de venda, a Citrovita adotou o silêncio. A assessoria de imprensa da empresa informou que ainda não há negócio finalizado com a Sucorrico e, portanto, não há nada para ser comentado. Já a Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus) também preferiu não comentar o assunto. O presidente da entidade, Ademerval Garcia, disse não ter conhecimento do negócio. No entanto, em uma entrevista coletiva hoje, na qual fez um balanço sobre o ano para o setor, Garcia considerou que a concentração na produção do suco de laranja é um reflexo da concentração nas vendas do produto nos principais mercados, como o europeu. "Só para exemplificar essa concentração, hoje existem só quatro redes de supermercados na Europa", explicou Garcia. A aquisição da Sucorrico S.A. pela Citrovita acontece em um cenário de ampliação da participação brasileira no mercado oriental, especialmente na Ásia, e nos países do Leste Europeu. Segundo Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), até outubro deste ano 116 mil toneladas de suco de laranja foram para a Ásia e os principais mercados emergentes na Europa são os da Polônia, Rússia e Hungria. Para o presidente da Abecitrus, Ademerval Garcia, fica difícil definir o volume de suco comercializado com o Leste Europeu, já que muitos deles compram o suco brasileiro que entra em outros países europeus, como Holanda e Bélgica. "Há muita troca interna dentro do bloco que é impossível ser medida", disse. O executivo reafirmou ainda estar confiante na nova redução da tarifa chinesa sobre o suco de laranja brasileiro, que era de 75% em 2001, caiu para 7,5% desde então e foi elevada, unilateralmente, para 30% em junho deste ano. "Os ruídos do mercado são de que a China revisará em breve essa decisão o que evitará uma ida nossa à Organização Mundial do Comércio", avaliou Garcia. Por fim, o presidente da Abecitrus citou ainda que a os custos da produção de laranja devem subir de 25% a 50% nos próximos anos somente com gastos de defesa sanitária e controle de pragas e doenças.

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