Citros: setor pede portaria para erradicar plantas com greening

Ribeirão Preto, 29 - A Câmara Setorial da Citricultura encaminhará ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, pedido para que baixe uma portaria obrigando a erradicação de plantas cítricas com greening. A decisão foi tomada em reunião hoje da entidade consultiva ao Conselho do Agronegócio (Consagro), em Bebedouro (SP). De acordo com o pedido, feito com base no relato de técnicos do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), há esperanças de se controlar a doença se forem erradicadas imediatamente 200 mil árvores em pomares nos entornos dede Araraquara e Araras, ambas cidades da região central do Estado de São Paulo com altos índices de contaminação. "No geral, a contaminação no restante do parque citrícola ainda é muito incipiente e a medida seria uma opção rápida para tentar controlar a doença", disse Ademerval Garcia, presidente do Fundecitrus e da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus). A portaria, a ser substituída por uma futura lei, seria parecida com a legislação paulista que obriga a erradicação de plantas com cancro cítrico, ou ainda que somente sejam comercializadas mudas certificadas e produzidas em viveiros telados. "Não existe uma normatização no caso do greening e, por isso, o produtor não é obrigado a arrancar uma planta doente, o que é muito arriscado. A saída proposta ao governo busca o controle da doença pelo menos na área mais afetada", disse Flávio Viegas, presidente da Câmara Setorial da Citricultura e Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus). No começo deste mês, levantamento divulgado pelo Fundecitrus mostrou que no parque citrícola comercial brasileiro há casos de greening em pomares de 45 municípios, todos no Estado de São Paulo. No município de Araraquara, considerado o coração do parque citrícola comercial brasileiro, a incidência atinge 20,22% dos talhões inspecionados pelos técnicos. Descoberto em março deste ano no País, o greening é causado por uma bactéria, a Candidatus Liberibacter, e sua ação faz com que as plantas fiquem amareladas, os frutos deformados e de pequeno tamanho e a produtividade caia. Além da erradicação das plantas, técnicos sugerem que sejam sempre utilizadas novas mudas com certificado de sanidade e que haja o controle químico nos pomares na tentativa de se eliminar o vetor da bactéria, um pequeno inseto chamado Diaphorina citri.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.