CNA: câmbio e alta de insumos ameaçam rentabilidade da agricultura

Brasília, 7 - O chefe do Departamento Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Getúlio Pernambuco, afirmou há pouco que é fundamental que o Ministério da Agricultura tenha, em 2005, recursos para elaborar políticas de apoio à comercialização para os principais produtos agrícolas. "É preciso ter recurso em caixa para elaborar políticas de apoio à comercialização, única forma de garantir renda aos produtores", comentou. Ele fez as afirmações ao comentar declarações feitas ontem pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. O ministro disse que "o câmbio como está perturba a competitividade do agronegócio". A avaliação de Rodrigues é de que os insumos comprados esse ano foram adquiridos com um câmbio mais valorizado e, portanto, "com um valor maior do que o que está hoje". "O importante é a intervenção do governo garantindo em mecanismos que assegurem a renda dos produtores", disse Rodrigues ontem. A CNA calcula que 20% da renda da agricultura e da pecuária do País vem da exportação. Por isso, comentou Pernambuco, o recuo do dólar frente ao real "acrescenta outro aspecto negativo num cenário que já não era tão favorável como o dos últimos anos". Além do recuo do câmbio, o aumento de 20% nos custos para produção da safra 2004/05 e a queda dos preços dos principais produtos agrícolas no mercado internacional são fatores que podem comprometer a renda do campo em 2005. Estimativas preliminares da CNA indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio em 2005 não deve repetir a taxa de crescimento de 2004, projetada em 3,2%. Para o representante da CNA, se o ministério contar, em 2005, com R$ 2 bilhões para políticas de apoio à comercialização o setor "escapará do fantasma do endividamento". "Melhor que intervir no câmbio é garantir renda, via apoio à comercialização", comentou. A proposta orçamentária encaminhada pelo Executivo ao Congresso Nacional prevê R$ 500 milhões para esse item no próximo ano. Parlamentares ligados à Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural encaminharam emenda prevendo outros R$ 1,5 bilhão para essas políticas. Linhas de financiamento para estocagem, contratos de opção (que garante ao agricultor vender determinado produto ao governo por preço pré-estabelecido), aquisição direta de produtos agrícolas são instrumentos da política de apoio à comercialização. Em 2004, foram destinados R$ 271 milhões para o apoio à comercialização. (fim)

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