CNA vê crescimento para o setor de carnes e lácteos em 2005

Brasília, 16 - Sem citar valores, o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, disse que o Brasil tem boas perspectivas de exportação de carne bovina, suína e de frango em 2005. Ele também lembrou que a exportação de produtos lácteos é promissora e que o saldo será positivo em 2004, revertendo a tendência de importação dos últimos anos. A expectativa é de superávit de US$ 10 milhões em 2004. Entre janeiro e novembro, o superávit da balança de lácteos foi de US$ 5,1 milhões, frente ao saldo negativo de US$ 60,1 milhões registrado em igual período do ano passado. "Mas temos problemas na área de grãos. E é preciso olhar o custo Brasil, ver onde o produtor está localizado, porque conforme o lugar esse custo pode aumentar e até tornar inviável a sua produção", explicou de Salvo. "Teremos certamente um ano mais difícil do que o que está acabando, mas com a esperança que seja ainda de crescimento", completou. Ele citou como indicador do cenário para 2005 a estimativa de exportação do complexo soja, que deve render US$ 9 bilhões, abaixo dos US$ 10 bilhões deste ano. A previsão de queda no faturamento se deve à redução dos preços médios pagos pelo grão e não pela queda da produção. A última previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada nesta semana, indicou colheita de 61,408 milhões de toneladas de soja na safra 2004/05, contra 49,770 milhões de toneladas no ano-safra anterior. A CNA avaliou que a produção crescerá porque produtores de culturas como milho receberam preços tão baixos neste ano que deverão migrar para a soja, preferindo optar por uma lavoura que, apesar da queda de preço, tem liquidez e valores sustentados internacionalmente. Para evitar um novo período de endividamento em 2005, o presidente da CNA defendeu a liberação de recursos para políticas de apoio à comercialização. "Ações mais fortes do governo em políticas de sustentação de preços serão essenciais no ano que vem, para evitar perdas ainda maiores de renda no campo", comentou. O chefe do departamento econômico da CNA, Getúlio Pernambuco, citou cálculos que mostram a necessidade de R$ 2,459 bilhões para apoio à comercialização (contratos de opção, estocagem e compras da agricultura familiar) em 2005. A proposta orçamentária encaminhada pelo Executivo ao Congresso Nacional prevê R$ 500 milhões. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da atividade agropecuária ficou abaixo do esperado em 2004, resultado da quebra na safra de grãos (cerca de 10 milhões de toneladas) e da forte alta dos preços dos insumos. O PIB da atividade cresceu apenas 3% em 2004, frente a uma expansão estimada de 4,5% para o conjunto da economia. Segundo de Salvo, esses percentuais mostram que a atividade rural brasileira enfrentou dificuldades este ano, revertendo a tendência de crescimento superior à média geral da economia verificada em anos anteriores. Em 2003, o PIB da agropecuária cresceu 6,54%, conforme cálculos da CNA e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP). O PIB total apresentou incremento de apenas 0,5% no ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Apesar das dificuldades, o setor agropecuário garantiu uma balança comercial positiva, empregou mais e a comida ficou mais barata para o consumidor", comentou de Salvo. O preço da alimentação, conforme dados do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (IPC-Fipe), caiu 1,78%, entre janeiro e novembro, em termos reais. No comércio externo, a previsão é que a balança comercial do agronegócio seja de US$ 33 bilhões, fruto de US$ 38 bilhões de exportações e US$ 5 bilhões em exportações. Em 2003, o agronegócio registrou superávit de US$ 24,8 bilhões. De acordo com a CNA, foram criados empregos no campo. As estimativas indicam que o resultado acumulado do ano oscile entre 90 mil e 100 mil novos empregos rurais, frente 58 mil novos empregos, em 2003. Em relação às exportações, os embarques de carne bovina devem somar 1,8 milhão de toneladas, com receita cambial de US$ 2,4 bilhões. "Ao contrário do que ocorre no mercado de grãos, o cenário para o segmento de carnes é de estabilidade em 2005, pois não há tendência de queda substancial de preços", comentou. O recuo dos preços dos principais produtos agrícolas no mercado internacional e a previsão de boa produção nos Estados Unidos levou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) a prever crescimento de apenas 2,2% no Produto Interno Bruto da atividade primária da agropecuária em 2005. O porcentual está abaixo do registrado em 2004, de crescimento de 3%. De acordo com o presidente da CNA, um dos principais problemas enfrentados pelos agricultores em 2004 foi a alta dos preços dos insumos, cuja tendência foi movida, pelo menos em parte, pela alta dos preços do petróleo. Entre janeiro e julho, os fertilizantes ficaram 17% mais caros, em média, enquanto o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 8%. No caso da soja, os fungicidas utilizados para combater a ferrugem asiática subiram de 50% a 90% em julho, em comparação aos preços cobrados em janeiro. "Os insumos subiram de preço e esqueceram de voltar", comentou o presidente da CNA.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.