Colheita de cana em Minas Gerais atinge 97% da safra prevista

Belo Horizonte, 22 - O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e da Fabricação do Álcool de Minas Gerais (Siamig/Sindaçúcar), Luiz Custódio Cotta Martins, revelou hoje que a colheita de cana-de-açúcar já atingiu 97% do total previsto. O Estado deverá produzir 21 milhões de toneladas de cana, volume 12,5% superior ao da safra passada, de 18,658 milhões de toneladas. Segundo Martins, em função dos preços do álcool ao consumidor final, a maior parte da produção de cana deverá ser destinada à fabricação de açúcar. De acordo com dados do sindicato, o volume de álcool deverá cair 3,3%, passando de 775,28 milhões na safra 2003/2004 para 750 milhões de litros. Por outro lado, a produção de açúcar deverá saltar 19,2%, de 1,334 milhão para 1,590 milhão de toneladas. As principais dificuldades encontradas pelos produtores sucroalcooleiros em Minas, conforme o presidente do sindicato, refere-se ao alto custo do frete da maior região produtora, o Triângulo Mineiro. Martins revela que as condições das rodovias que dão acesso aos mercados consumidores encarecem o custo de produção do álcool. Da mesma forma, a alíquota de ICMS sobre o produto no Estado é de 25%, contra 12% em São Paulo. Por causa disso, o preço na bomba em Minas é quase o dobro do mercado paulista, chegando a R$ 1,60 o litro. "Por este motivo, estamos dando preferência à produção de açúcar", disse. O diretor gerente da Usina Coruripe (grupo Tércio Wanderley), Vitor Montenegro Wanderley Júnior, garantiu que não faltará álcool no mercado brasileiro. Ele ressalta, no entanto, a dificuldade em controlar o consumo interno do produto, já que a demanda tem aumentado gradativamente e alguns consumidores chegam a usar até 40% de álcool no abastecimento. "Perdemos o controle sobre o consumo, principalmente de adição de rabo de galo", disse. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e da Fabricação de Álcool de Minas Gerais (Siamig/Sindaçúcar), Luiz Custódio Cotta Martins, uma lei federal obriga a formação de um estoque estratégico com um volume suficiente para um mês e meio de consumo, que não é cumprida. De acordo com ele, uma reunião da Câmara Setorial está prevista para a próxima quinta-feira para discutir a questão. Martins ressalta que as negociações com o governo mineiro continuam para que as alíquotas de ICMS em Minas sejam reduzidas de 25% para 12% e sejam iguais às praticadas em São Paulo. Segundo ele, os empresários estão preocupados com a possibilidade de perda de mercado do álcool produzido no Estado, caso a medida não seja tomada. Conforme o presidente do Sindicato, o crescimento das vendas de carros bicombustíveis e as exigências do Protocolo de Kyoto exigirão que a produção de álcool dobre nos próximos 10 anos, o que significaria um incremento de 4 milhões de hectares na área plantada. A expansão das plantações só poderá ocorrer nos Estados do Paraná, Minas, Goiás, Mato Grosso e Tocantins, já que São Paulo está com capacidade de plantio esgotada. "Minas poderá perder investimentos, porque aqui não há mercado. Do total produzido no Estado, apenas 34% são consumidos internamente", alerta.

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