Toby Melville/Reuters
Toby Melville/Reuters

Com a compra da BG, Shell será principal parceira da Petrobrás

Companhia estima produzir 550 mil barris de petróleo por dia até o fim da década

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S. Paulo

08 Abril 2015 | 07h24

LONDRES - A anglo-holandesa Shell prevê que a produção de petróleo e gás no Brasil poderá ser multiplicada por mais de dez até o fim da década após a compra da britânica BG. Com a união entre as duas companhias, o novo gigante europeu do setor energético prevê que será o "principal parceiro" da estatal Petrobrás no País.

"A combinação dos negócios melhorará a posição da Shell como um detentor de grandes reservas e investidor no Brasil, com potencial de aumentar a produção da Shell de 52 mil barris equivalentes de petróleo por dia em 2014 para estimativa de 550 mil barris por dia para o grupo combinado no fim da década", destaca comunicado enviado ao mercado. 

A companhia anglo-holandesa explica ainda que a aquisição da BG fornece aos acionistas da Shell áreas de exploração promissoras no Brasil. "Os campos de exploração da BG oferecem crescimento de curto prazo e opções na Bacia de Campos, complementando a produção existente da Shell e o potencial do projeto de longo prazo de Libra", argumenta a companhia. 

Unidas, Shell e BG terão um papel importante também para a estatal Petrobrás. "O grupo combinado será o principal parceiro ao lado da Petrobrás trabalhando para garantir as melhores práticas e que o aprendizado seja aplicado pelo grupo para o desenvolvimento da atividade em águas profundas no Brasil nas próximas décadas", diz o documento. 

Em todo o mundo, a união das operações da Shell e da BG deve gerar sinergias de cerca de US$ 2,5 bilhões por ano, diz a empresa anglo-holandesa. Além dessa economia já prevista, a petroleira cita que "também foram identificadas significativas oportunidades adicionais" de economia para as finanças da empresa. 

Operação no Brasil. O comunicado da Shell lembra que a companhia já tem posição importante na exploração de águas profundas no Brasil. "A tecnologia e a capacidade da Shell nessa área são reconhecidas como entre as melhores da indústria e o retorno sobre o capital empregado em águas profundas ficou em atrativos 12% em 2014", destaca. 

Aumentar a presença na exploração do petróleo no Brasil é uma parte significativa da compra multibilionária da britânica BG anunciada nesta manhã pela Shell. "Já operamos no Brasil e estamos felizes, mas queremos ter mais. Uma parte significativa do negócio é ter uma presença mais forte em águas profundas", disse o executivo-chefe da Shell, Ben van Beurden. Além do Brasil, a exploração de gás natural na Austrália foi citado como o outro grande resultado positivo da união das duas companhias europeias.

"Temos de olhar para o Brasil pelo potencial que existe. No momento, essa é talvez a área do mundo mais excitante para a indústria atualmente. Há um potencial incrível", disse o executivo durante teleconferência com analistas e investidores para dar detalhes da compra que soma 47 bilhões de libras. "A Shell estava insuficientemente exposta à essa oportunidade. Já operamos no Brasil e estamos felizmente, mas queremos ter mais".

Beurden explicou que "não é bom para uma empresa de classe mundial quando você não pode ir além". O material exibido aos analistas mostra que a exposição da Shell ao pré-sal era menor que a da BG. Enquanto a anglo-holandesa tinha presença basicamente no campo de Libra, a britânica possui participação nos consórcios que exploram Iara, Lapa, Lula e Sapinhoá.

Um dos analistas questionou Beurden sobre os riscos de o novo gigante do petróleo sofrer respingos da crise na Petrobrás no Brasil e o executivo não demonstrou muita preocupação. "Estamos há muitos anos no Brasil, há mais de 100 anos. Trabalhamos há muito tempo com a Petrobras e temos muito boa experiência no campo de Libra. A BG também tem boa experiência e tudo é positivo", disse.

"As manchetes (sobre a Petrobrás) não são atrativas, mas estamos falando de coisas de longo prazo. A Petrobrás é uma empresa forte e queremos estar ao lado dessa grande empresa", disse o principal executivo da Shell. 

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