Com a nuvem, indústria aproximou pequenas empresas das ferramentas de projetos

Confira como os sistemas computadorizados de engenharia ficaram mais acessíveis com cloud computing

Bruno de Oliveira, especial para O Estado

03 Abril 2015 | 06h00

 

Da mesma forma que as grandes indústrias deixaram de criar projetos na prancheta e passaram a desenvolvê-los por meio de ferramentas computadorizadas, causando uma grande revolução nos departamentos de engenharia, a tecnologia da computação em nuvem representa para os pequenos e médios negócios a oportunidade de também desfrutar deste salto tecnológico.

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Até um passado recente, softwares de CAD (Desenho Assistido por Computador, na tradução do inglês) vinham sendo desenvolvidos para atender demanda exclusivas de grandes corporações, tanto na indústria de manufatura quanto no setor de construção civil.

Ferramentas completas e custo de licenças altos acabaram marginalizando empresas com perfil de investimento mais reduzido. A saída encontrada pelas PME era adquirir versões obsoletas para, dessa forma, otimizar a criação de seus projetos.

Nos últimos quatro anos, contudo, desenvolvedoras de software CAD têm mirado seus holofotes para o nicho de pequenas e médias empresas. Embora focadas ainda nas grandes contas que congregam as grandes corporações, elas passaram a criar versões de seus softwares consagrados para atender as PME. Quem permitiu isso, segundo os fabricantes, foi a computação em nuvem atrelada a um modelo de negócio específico para o nicho.

"O que levou a indústria a olhar para os pequenos foram as transformações que surgiram de uns anos para cá, como a massificação da internet dentro das fábricas e a cultura de querer acompanhar a evolução tecnológica do cliente", disse Mario Belesi, diretor SolidWorks para a América Latina da Dassault Systèmes, empresa que fabrica um dos principais softwares de engenharia do mercado global, ao lado do AutoCAD, da Autodesk.

"Isso fez com que a indústria criasse soluções alternativas baseadas em cloud para atendê-las. Outro benefício oferecido por este modelo de oferta é a criação de um ambiente colaborativo de projeto, onde vários profissionais podem interagir simultaneamente em uma mesma tarefa", completou o executivo.

Na prática, a tecnologia na nuvem permite que a fabricante disponibilize versões mais enxutas de seus programas mais robustos. O cliente paga pelo acesso e não precisa fazer a instalação nos computadores, acessando a solução de CAD pela internet.

Esta tendência de acesso na nuvem vem sendo adotada pelo mercado como um todo como forma de aproximar a tecnologia CAD de diversos perfis de empresas. A Autodesk, por exemplo, hoje tem uma oferta alternativa ao seu modelo padrão de vendas de licenças de software perpétuas - hoje ela passou a oferecer assinaturas de suas plataformas de engenharia onde o cliente paga pelo uso do software por um tempo determinado.

"Do ponto de vista estratégico, as PME são críticas para o nosso negócio, é um segmento muito importante. Nossas principais soluções, além de proporcionarem um retorno sobre o investimento que pode facilitar a compra de um software para uma PME, agora são vendidas também no formato de assinaturas temporárias. Isso ajuda principalmente empresas que não possuem um capital inicial grande", explica Ricardo Bianca, especialista de vendas da Autodesk.

Futuro. As tecnologias que vão aparecer no futuro dentro das pequenas indústrias ou empresas de engenharia, segundo as duas empresas, são os softwares de modelagem. Essas ferramentas - que hoje são uma realidade apenas para as grandes - permitem que os profissionais desenvolvam projetos mais rapidamente porque eles criam simulações dos produtos que estão sendo desenvolvidos.

"As ferramentas paramétricas, com o tempo, estarão presentes no cotidiano das pequenas e médias. Ainda não estão porque adotar estes softwares envolve criar procedimentos internos que interagem com a plataforma. Um exemplo: é possível determinar a quantidade exata de materiais que compõe uma peça. Se o almoxarifado não tiver acesso a esta informação, o software não funciona em sua plenitude", disse o executivo da Autodesk.

Para Belesi, da Dassault Systèmes, no médio prazo a estação de trabalho dentro de um negócio que seja focado em engenharia estará cada vez mais conectada. "Isso vai possibilitar que eles tenham acesso a complementos dos softwares do mercado, outras ferramentas que também aumentam a produtividade", finaliza Belesi.

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