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Com alta do dólar, Usiminas tem prejuízo de R$ 19 mi no 2º trimestre

Já no acumulado dos seis primeiros meses do ano, o lucro alcançou R$ 138 milhões, queda de 51% ante igual intervalo de 2017

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2018 | 09h15

O câmbio pesou sobre os resultados divulgados pela Usiminas nesta sexta-feira, 27, que apresentou um prejuízo de R$ 19 milhões no segundo trimestre do ano. No mesmo período do ano passado o lucro havia sido de R$ 176 milhões. Nos três primeiros meses de 2018, o lucro havia sido de R$ 157 milhões.

No acumulado dos seis primeiros meses do ano, o lucro alcançou R$ 138 milhões, queda de 51% ante igual intervalo de 2017. O prejuízo, segundo a companhia, foi uma consequência, em especial, da variação cambial no período.

"Nos últimos meses, a percepção da população e dos agentes econômicos foi duramente abalada pela paralisação dos caminhoneiros, que coincidiu com o momento de expressiva elevação do câmbio. Esses fatores, somados ao crescimento do protecionismo internacional e às incertezas no cenário político, trouxeram à tona fragilidades da economia e criaram uma crise de confiança que prossegue até o momento", destaca, em nota enviada à imprensa, o presidente da Usiminas, Sergio Leite.

O prejuízo atribuível aos acionistas da Usiminas chegou a R$ 32,2 milhões, ante um lucro de R$ 117 milhões no segundo trimestre de 2017 e de R$ 140 milhões nos três primeiros meses do ano.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 497 milhões no intervalo analisado, recuo de 30% ante o visto um ano antes e retração de 20% na comparação trimestral. No semestre, o Ebitda foi a R$ 1,119 bilhão, queda de 10%.

No segundo trimestre, a margem Ebitda ficou em 16%, ante 28% um ano antes e 19% no primeiro trimestre de 2018.

No critério ajustado, o Ebitda somou R$ 519 milhões, recuo de 31%. Na relação trimestral, a retração foi de 19%.

A receita líquida da siderúrgica mineira totalizou R$ 3,204 bilhões no período analisado, aumento de 25% na relação anual. No comparativo trimestral, o recuo foi de 1%.

O resultado para o segundo trimestre veio 16% abaixo das estimativas coletadas pela Prévias Broadcast. Já a receita líquida reportada  veio em linha com as projeções. As seis instituições financeiras consultadas (BTG Pactual, Bradesco BBI, Itaú BBA, Morgan Stanley, Safra e XP Investimentos), contudo, não tiveram consenso em relação ao lucro líquido. As estimativas foram desde um prejuízo da ordem de R$ 39 milhões a um lucro líquido de R$ 254 milhões.

Câmbio e greve atrapalham

Com a desvalorização do real ante o dólar, a Usiminas reportou uma perda financeira de R$ 276,6 milhões de abril a junho, mais de R$ 100 milhões superior à perda vista um ano antes.

Já o volume de venda de aço pela Usiminas no segundo trimestre do ano caiu 1% na relação anual, para 977 mil toneladas. A queda trimestral, que demonstra os efeitos da greve dos caminhoneiros, foi de 10%. No primeiro semestre o volume de vendas chegou em 2,066 milhões de toneladas, aumento de 8%.

Das vendas realizadas no segundo trimestre do ano, um volume de 143 mil toneladas foi destinado às exportações. Ante o primeiro trimestre do ano, a queda das exportações foi de 16%. O principal destino das vendas externas da Usiminas foi a Argentina, com uma fatia de 34%. Depois está a Alemanha, com 25%.

Segundo o documento que acompanha o demonstrativo financeiro da Usiminas, a receita líquida da unidade de siderurgia foi de R$ 2,9 bilhões no trimestre, 2,7% a menos do que o verificado no primeiro trimestre do ano. Segundo a companhia, esse recuo se deu por conta do menor volume de vendas nesse período, mas foi parcialmente compensado por melhores preços, sendo 7,1% maiores no mercado interno e 20% superiores no externo.

A alavancagem da Usiminas, medida pela razão da dívida líquida sobre Ebitda, subiu de 1,8 vez no primeiro trimestre do ano para 2,3 vezes no segundo.

A dívida líquida da Usiminas encerrou junho em R$ 4,739 bilhões, recuo de 5% na relação anual, porém um aumento de 15% na base trimestral. O aumento da dívida no trimestre, segundo a Usiminas, deveu-se aos efeitos da desvalorização cambial, que afetou negativamente a dívida denominada em moeda estrangeira, que correspondia, no trimestre analisado, a 22% do total.

O caixa da Usiminas no fim do segundo trimestre do ano estava em R$ 1,1 bilhão, queda de 43% na relação anual e de 29% na comparação trimestral.

Da dívida bruta da Usiminas, R$ 5 milhões vencem neste ano; R$ 95 milhões em 2019, R$ 420 milhões em 2020, R$ 778 milhões em 2021. Entre os anos de 2022 e 2025 o vencimento anual é de cerca de R$ 1,1 bilhão.

Minério de ferro

As vendas de minério de ferro pela siderúrgica mineira somaram 1,386 milhão de toneladas, aumento de 120% na relação anual, lembrando que nesse período a Usiminas retomou a produção em minas antes paralisadas. Em relação ao três primeiros meses do ano, contudo, o recuo das vendas foi de 23%.

No acumulado dos seis primeiros meses de 2018, o volume de minério de ferro vendido chegou em 3,192 milhões de toneladas, aumento de 151%.

O custo caixa do minério de ferro da Usiminas aumentou no segundo trimestre do ano. Chegou em R$ 63,3 a tonelada, ante R$ 58,1 a tonelada no primeiro trimestre do ano. O aumento, segundo a Usiminas, se deu por conta da desvalorização do real, que elevou os gastos com o arrendamento da mina da MBL.

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