Leo Caldas/Estadão - 25/11/2013
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Com aquisição da Fael, Ser Educacional dobra em ensino a distância e mira ‘virada digital’

Presidente da instituição, Jânyo Diniz prevê pelo menos mais uma aquisição neste ano; ‘edtechs’ (startups de educação) são seu novo alvo

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2021 | 14h04

Depois de levar a Faculdade Educacional da Lapa (Fael) por R$ 280 milhões, em sua sexta aquisição em um pouco mais de um ano, o Grupo Ser Educacional deve apostar todas as suas fichas em uma “virada digital”. Além do olhar nas instituições de ensino do setor de saúde e de polos a distância, a empresa também tem como alvo as “edtechs”, como são chamadas as startups mais inovadoras do setor de educação.

Por trás da recém anunciada aquisição está a percepção de que a pandemia mudou de vez o setor educacional. “Nosso sentimento é de que não vai ter mais curso 100% digital. Mesmo o presencial terá um complemento a distância, todos passarão a ser híbridos”, disse nesta segunda-feira, 31, o presidente da Ser Educacional, Jânyo Diniz, em entrevista ao Estadão

Diante dessa conclusão, as edtechs, que se concentram em cursos não regulados, como de idiomas e de computação, viraram prioridade. E Diniz garante que estão na mesa vários ativos e promete ao menos mais uma nova transação a ser anunciada neste ano. “Nossa ideia é fornecer educação digital em todos os níveis”, diz.

Os cursos não regulados, segundo Diniz, permitem o lançamento mais célere de turmas, o que ajuda a companhia a atender mais rapidamente às demandas do mercado de trabalho. “Queremos atender o que o aluno quer e ajudá-lo no processo de escolha. Hoje as profissões não são mais para a vida toda”, comenta. 

A estreia da Ser no mundo das edtechs ocorreu no ano passado, quando abocanhou a  startup mineira Beduka, plataforma que atua no mercado de apoio online para alunos que buscam ingressar no ensino superior, por meio de planos de estudos e simulados do Enem, por exemplo.

Corrida para o ensino a distância

A aquisição da Fael se encaixou à estratégia da Ser para construir o ecossistema educacional. Com sede em Lapa, região metropolitana de Curitiba, a Fael, que fornece 100% de seus cursos online, tem 65% de seus alunos nas regiões Sul e Sudeste – onde a Ser quer crescer.  

No passado, exatamente com a intenção de abrir os preços nessas regiões, disputou a aquisições dos ativos da Laureate no Brasil, mas perdeu para a Ânima.

Com os 90 mil alunos na base que virão com a Fael, operação que depende do aval  do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Ser dobra seu número de alunos a distância e ganha um item importante nesse método de ensino que avançou na pandemia: escala, algo fundamental para a rentabilidade do negócio.

O executivo conta que o primeiro contato com a Fael, controlada pelo fundo de private equity Apollo, ocorreu em 2014, mas que as conversas ganharam tração na metade do ano passado. A Ser foi assessorada pelo escritório de advocacia Pinheiro Neto e a Apollo e Fael, pelo escritório Souza Melo.

Com essa aquisição e com a prospecção de edtechs, a Ser mostra que vai se voltar para online. No ano passado, fora a compra da startup Beduka, a companhia desembolsou cerca de R$ 500 milhões para fazer cinco compras de ativos. Com isso, a companhia conseguiu dobrar as vagas do curso de medicina – um dos pilares de seu crescimento, porque cobra mensalidades mais altas.

Para a XP, a aquisição da Fael pela Ser de estar mais exposto ao ensino a distância é ousado, mas positivo. “No entanto, estamos cautelosos sobre a capacidade de Ser de melhorar as margens de Fael além das sinergias especuladas”, segundo relatório assinado pelo analista Vitor Pini. 

O BTG Pactual, também em relatório enviado ao mercado, classificou a Fael como um ativo estratégico para a Ser. "Nossa leitura sobre a aquisição é positiva, uma vez que o ativo é estratégico e há sinergias, mas as operações da Fael exigem uma recuperação”, dizem os analistas Samuel Alves e Yan Cesquim.

Desafio do financiamento persiste

Desde as mudanças do Financiamento Estudantil, o Fies, em 2015, as empresas de educação no Brasil têm passado por desafios de como suprir essa demanda, o que fez com que muitas universidades perdessem alunos. 

O presidente da Ser disse que a fatia de alunos com financiamento do Fies saiu de 40%, no auge do programa, para 10%, hoje. Outros 3% dos alunos utilizam financiamento próprio da companhia, que tem escopo mais limitado. 

“O setor de educação cresce quando tem financiamento ou quando a economia está pujante. Hoje a economia não está crescendo e temos dificuldade de financiamento”, comenta Diniz. Nesse sentido, diz ele, o ensino a distância tem ajudado a ocupar esse espaço e a trazer mais alunos de volta às salas de aula, mesmo que digitais.

O executivo conta que no momento as instituições de ensino estão trabalhando para buscar alternativas de financiamento e deve sair em breve o crédito consignado voltado para educação. Esse é um financiamento menos arriscado, visto que as parcelas são deduzidas diretamente da folha de pagamento, e por isso é uma modalidade com mais apetite por parte dos bancos.

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