Com baixo interesse de geradoras, leilão de energia decepciona

Foram negociados 622 MW, mas a demanda das distribuidoras era estimada em até 3.000 MW; governo admite que resultado ficou aquém do esperado e já planeja novo certame em janeiro  

Agência Estado e Reuters

05 Dezembro 2014 | 11h16

Atualizado às 13h40

O leilão A-1 de energia existente, realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na manhã desta sexta-feira, 5, durou menos de 20 minutos e confirmou a expectativa de que os preços de referência estabelecidos pelo Ministério de Minas e Energia (MME) não eram atrativos para os geradores. Apenas duas empresas estatais, Furnas e Petrobrás, ofereceram energia. 

Foram negociados 622 MW médios para 2015, mas a demanda das distribuidoras, de acordo com estimativas de especialistas, era bem maior: entre 2.500 MW e 3.000 MW médios.

Os representantes do governo presentes em coletiva de imprensa nessa sexta-feira confessaram que o resultado do certame ficou aquém do desejado. Para atender à demanda excedente, o governo federal pretende promover um leilão de ajuste na primeira quinzena de janeiro do próximo ano. 

Outros leilões de ajuste podem ser realizados para reduzir a demanda das distribuidoras, caso sejam necessários, destacou o assessor econômico do Ministério de Minas e Energia (MME), Igor Alexandre Walter. Os leilões podem incluir contratos de fornecimento com prazos, por exemplo, de três ou seis meses.

O principal desafio dos leilões de energia de curto prazo desde o ano passado é exatamente obter geradoras interessadas em participar com venda de energia nessas competições. 

Os preços máximos definidos pelo governo federal para serem praticados nesses leilões têm ficado muito aquém das previsões de mercado para preços de energia de curto prazo. Assim, as geradoras têm optado por obter mais ganhos com as negociações no mercado de curto prazo num momento em que a escassez de chuva para abastecer reservatórios das hidrelétricas e forte geração térmica acionada elevam as possibilidades de ganhos no curtíssimo prazo. 

Leilão. Foram incluídos no leilão três produtos, mas apenas dois receberam propostas. Destes, apenas um apresentou deságio em relação ao preço-teto, porém o deságio foi o mínimo, de apenas R$ 0,01/MWh.

Os contratos por quantidade com prazo de cinco anos não receberam propostas. Esta opção era aquela que apresentava o preço-teto mais baixo do leilão de hoje, de R$ 180/MWh. O outro contrato por quantidade era de três anos, com preço-teto de R$ 201/MWh. Nesta categoria, foram negociados 352 MW médios por Furnas.

Os contratos por disponibilidade, com prazo de três anos e preço-teto de R$ 192/MWh, tiveram deságio de apenas R$ 0,01 e foram negociados por R$ 191,99/MWh. Nesta categoria, foi negociada energia gerada nas térmicas a gás natural Aureliano Chaves (MG) e Rômulo Almeida (BA), ambas da Petrobras. A estatal receberá R$ 171,5 milhões por ano pela venda de 270 MW médios.

O leilão terminou com a negociação de 16,361 milhões de MWh e um preço médio de R$ 197,09/MWh. O valor das operações de fornecimento por um prazo de três anos deve somar R$ 3,224 bilhões.

Na ponta compradora aparecem 33 distribuidoras de energia, com destaque para a CEA, do Amapá, e a RGE, da CPFL no Rio Grande do Sul. A primeira negociou 2,221 milhões de MWh e a segunda, 2,005 milhões de MWh. Celg, Celpa e CEEE também aparecem entre as principais compradoras do leilão.

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