Com bônus perpétuos, BB reforça caixa e crédito

O Banco Central permitiu que o Banco do Brasil reforce seu capital com o uso de bônus perpétuos, aqueles que não têm data específica de vencimento. Com a autorização, US$ 1,45 bilhão emitido pelo banco federal em outubro do ano passado poderá reforçar o caixa e a capacidade de emprestar da instituição. Sozinho, o dinheiro extra dará poder ao BB para realizar pelo menos R$ 25 bilhões em novas operações de crédito.

FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

09 de fevereiro de 2010 | 19h50

O capital do BB será reforçado com um instrumento relativamente novo no Brasil: títulos perpétuos. Com a estabilidade da economia, empresas nacionais passaram a ver a possibilidade de emitir dívida sem vencimento, que paga um juro preestabelecido por todo o período em que o investidor mantiver o título em mãos. No caso dos bancos, o dinheiro captado pode ser somado ao capital porque há o entendimento de que uma emissão perpétua não representa dívida comum, já que os papéis podem continuar com os investidores até o resto da vida. Em uma captação tradicional, com vencimento definido, o reforço de capital não é permitido.

Com mais capital, o BB aumenta a capacidade de empréstimos, alinhado à política do governo de incentivar o crédito para acelerar o ritmo da economia. Em comunicado divulgado hoje, o BB informa que o US$ 1,45 bilhão se soma a outra emissão anterior de R$ 1 bilhão em Certificados de Depósito Bancário Subordinado. Juntas, as operações aumentam o chamado índice de Basileia do BB em cerca de 0,80 ponto porcentual.

Pelas regras brasileiras, todo banco deve ter capital mínimo de R$ 11 para emprestar R$ 100. Essa proporção é a mínima requerida e representa um índice de Basileia de 11%. Quanto mais próximo de 11%, menor a capacidade de realizar novos empréstimos. No BB, o forte aumento do crédito no ano passado sem reforço de patrimônio diminuiu o fôlego da instituição no crédito. Em setembro de 2009, o indicador do BB estava em 13%, abaixo dos concorrentes como Itaú (16,7%), Bradesco (17,9%) e Santander (28,3%).

Além dessa operação com papéis emitidos no mercado, o BB planeja um grande reforço de capital com a venda de um valor entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões em ações. O objetivo também é de aumentar o capital. Segundo o BB, isso é necessário para "sustentar o crescimento futuro da instituição financeira".

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