Com capitalização da Petrobrás, governo central tem superávit recorde

Em setembro, superávit primário somou R$ 26,056 bilhões

Adriana Fernandes e Fabio Graner, da Agência Estado,

26 de outubro de 2010 | 09h42

As contas do governo central (Tesouro Nacional, INSS, Banco Central) apresentaram em setembro o maior superávit primário da história: R$ 26,056 bilhões, graças aos recursos que entraram nos cofres do governo, com a capitalização da Petrobrás.

O Tesouro Nacional apresentou no mês um superávit de R$ 35,234 bilhões e o Banco Central um saldo positivo de R$ 12,6 milhões. Já a Previdência Social apresentou um déficit primário de R$ 9,191 bilhões.

Não fossem os recursos extraordinários originados pela capitalização da Petrobrás, o Governo Central teria registrado em setembro um déficit primário de R$ 5,8 bilhões. Esse seria o pior resultado primário em um ano.

Mas esse número foi obtido graças aos R$ 31,9 bilhões de receita extra originada da engenharia financeira montada pelo governo na capitalização da Petrobrás, operação que foi antecipada pela Agência Estado no dia 9 de setembro. Ao se subtrair a arrecadação extraordinária obtida com a manobra contábil do resultado efetivo do mês, chega-se aos R$ 5,8 bilhões. 

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, saiu em defesa da operação de capitalização da Petrobrás. "É uma receita de concessão como outra qualquer. Como sempre foi", defendeu Augustin.

Segundo ele, a operação da Petrobras "causou alegria" ao governo. O secretário evitou, no entanto, fazer comentários sobre o fato de que, sem as receitas da Petrobrás, as contas do governo central em setembro teriam apresentado um déficit primário. "Não fazemos a conta dessa forma, retirando uma das receitas. Teríamos que refazer toda a série", justificou Augustin.

No acumulado do ano, as contas do governo central até setembro somam um superávit de R$ 55,706 bilhões, o equivalente a 2,14% do Produto Interno Bruto (PIB). O Tesouro acumula no ano um superávit de R$ 95,878 bilhões e a Previdência, um déficit de R$ 39,767 bilhões e o Banco Central um saldo negativo de R$ 403,5 milhões.

Em 2009, as contas do governo central acumulavam até setembro um superávit de R$ 15,618 bilhões, 0,68% do PIB. O superávit de janeiro a setembro é R$ 40,1 bilhões superior ao apurado no mesmo período do ano passado. 

Receita

As receitas do governo central, de janeiro a setembro, apresentaram um crescimento de 31,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Por outro lado, as receitas totais do governo somam, de janeiro a setembro R$ 676,677 bilhões.

Mas as despesas totais do governo acumulam em crescimento de 27,2%. O crescimento é muito superior ao verificado no ano passado, quando as despesas cresciam 16,7%. As despesas totais do governo central, de janeiro a setembro somam R$ 521,360 bilhões. 

Investimento

Os investimentos totais do governo central cresceram 56,6% no acumulado de janeiro a setembro, em relação a igual período do ano passado, totalizando R$ 32,2 bilhões. Nos nove primeiros meses de 2009, os investimentos tinham somado R$ 20,6 bilhões.

Os investimentos que constam do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) somaram R$ 14,249 bilhões no acumulado de janeiro a setembro, com alta de 50% ante os R$ 9,492 bilhões do mesmo período de 2009. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.