Com crise na Europa, grandes grupos buscam crédito nos bancos nacionais

Linhas para as grandes empresas foram as que mais cresceram dentro da carteira de empréstimos no terceiro trimestre

Altamiro Silva Júnior, de O Estado de S. Paulo,

18 de novembro de 2011 | 23h00

As grandes empresas voltaram a tomar crédito nos bancos nacionais. Com a crise na Europa, que encareceu a captação de recursos no exterior e fechou o mercado de ações no Brasil, a procura por financiamento bancário aumentou. As linhas para grandes empresas foram as que mais cresceram dentro da carteira de empréstimos dos bancos no terceiro trimestre.

Para os próximos meses, a expectativa é que essas linhas continuem aquecidas, uma vez que a volatilidade no mercado financeiro deve continuar elevada. Na quinta-feira, a Caixa Econômica Federal anunciou ter reservado, somente para novembro e dezembro, R$ 10 bilhões para emprestar às empresas em linhas de financiamento de capital de giro e realização de investimentos.

Nos grandes bancos, sem exceção, houve um aumento expressivo do crédito para grandes companhias nos últimos meses. No Itaú, a expansão foi de 24% na comparação do terceiro trimestre com o mesmo período do ano passado, acima dos 21% da carteira total de crédito. No Bradesco, a carteira aumentou 27%, o dobro da pessoa física. No Banco do Brasil, enquanto a carteira de pequena empresa cresceu 16%, a de grandes corporações se expandiu em 24%.

"Os financiamentos para grandes e médias empresas devem seguir aquecidos", destaca Alfredo Egydio Setubal, diretor de relações com investidores do Itaú Unibanco. O executivo avalia que o fato de o mercado internacional estar mais volátil leva essas empresas a usarem mais o crédito local. Há ainda o fato de as empresas estarem precisando de recursos em um momento no qual o mercado de capitais local está desaquecido. As emissões de ações pararam e não devem ocorrer novas ofertas este ano, segundo o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto.

Prêmio. Com a piora da situação na Itália, a aversão ao risco voltou a subir e os investidores seguem pedindo prêmios elevados para comprar bônus corporativos. "Hoje, captar lá fora não compensa, por conta do alto custo da operação", diz o vice-presidente Financeiro do Banco ABC Brasil, Sérgio Lulia Jacob.

O resultado é a maior demanda por linhas domésticas de financiamento. No BB, tem havido maior procura tanto por operações tradicionais, como capital de giro, como para financiar projetos de investimento, destaca o vice-presidente de gestão financeira, mercado de capitais e relações com investidores do banco, Ivan Monteiro.

"O crédito para grandes empresas vem surpreendendo e está crescendo bem acima do previsto", disse o vice-presidente executivo e diretor de relações com investidores do Bradesco, Domingos Ferreira Abreu. O banco tem previsão de crescimento de até 15% para a carteira em 2011, mas, até setembro, a alta já havia chegado a 27%.

Os bancos apostaram forte no segmento de pequenas empresas entre o final de 2010 e começo de 2011. O problema é que a categoria foi uma das com maior aumento de inadimplência.

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