Com dívida de R$ 1 bi a vencer, Renova tem nota rebaixada por risco de calote

Para agência Fitch, estrutura de capital da empresa de energia eólica expõe a companhia à inadimplência; até dezembro, ela terá de obter aprovação do BNDES para empréstimo de longo prazo de R$ 773 milhões

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2016 | 05h00

Em meio a negociações de venda de ativos e entrada de um novo sócio, a Renova Energia teve sua nota de crédito rebaixada por risco de calote nesta quarta-feira, 26. Com vencimentos de quase R$ 1 bilhão nos próximos 90 dias e vivendo a maior crise desde que foi criada, a empresa de energia eólica – que já foi a maior do País – teve sua capacidade financeira colocada em xeque pela agência de classificação de risco Fitch Ratings.

Segundo a agência americana, a estrutura de capital da Renova é insustentável e deixa a companhia numa posição “altamente vulnerável e exposta a um evento de inadimplência”. A posição de caixa da empresa mais a previsão de entrada de recursos até a data dos vencimentos não são suficientes para fazer o pagamento integral e pontual das obrigações previstas em 2017, afirma a Fitch em relatório publicado ontem.

Na holding, há R$ 222 milhões de dívidas vencendo até janeiro e na subsidiária Diamantina Eólica, R$ 773 milhões até dezembro. Nesse último caso, trata-se de um empréstimo-ponte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para um projeto da empresa. O financiamento de longo prazo ainda não foi aprovado pelo banco de fomento.

Para a Fitch, embora tenha em seu bloco de controle a estatal mineira Cemig, não há garantia de que o acionista vá socorrer a Renova para fazer os pagamentos. A estatal já colocou R$ 1,7 bilhão para tentar equalizar os problemas enfrentados neste ano e antecipou pagamentos de contratos futuros de energia no valor de R$ 212 milhões.

A crise na Renova, que tem 770 MW de energia eólica instalada, começou com a frustrada parceria com a americana SunEdison, que entrou em recuperação judicial. Com dificuldades financeiras nos Estados Unidos, os papéis da SunEdison caíram e a Renova teve de amargar perdas milionárias. Ao mesmo tempo, a empresa brasileira tinha projetos que já haviam entrado em leilão e precisava ser construída. No entanto, faltou dinheiro para cumprir todos os compromissos.

Segundo uma fonte próxima da companhia, hoje a Renova trabalha com duas vertentes para sair da crise. Uma delas seria encontrar um novo sócio que colocasse dinheiro na empresa e, assim, desse fôlego para conseguir refinanciar as dívidas e tocar os novos projetos. Uma outra saída é a venda de ativos para diminuir a alavancagem da empresa. Desde meados do primeiro semestre, vários investidores estão fazendo due diligence na companhia para fazer uma proposta, seja de compra de ativos ou para entrar como sócio. Agora, a Renova terá de acelerar esse processo para evitar que a crise se aprofunde ainda mais.

Em seu relatório, a Fitch afirma que rebaixará mais uma vez o rating da Renova caso ela não “assegure” nos próximos 30 dias que pagará suas dívidas na data de vencimento. “Uma elevação do rating é improvável no curto prazo, a menos que haja entrada significativa de recursos no grupo que propicie melhora em sua estrutura de capital e em seu perfil de liquidez”, afirma a agência de classificação de risco.

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