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Com dívida de R$ 264 milhões, Editora Três leva galpão de gráfica a leilão

Empresa do mercado editorial venderá ativo para levantar recursos e pagar credores

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2021 | 17h43

A Editora Três, que publica as revistas IstoÉ, IstoÉ Dinheiro, Dinheiro Rural e os sites de Menu, Planeta e IstoÉ Gente, vai leiloar o galpão industrial da sua antiga gráfica, na cidade de Cajamar (SP). O imóvel tem 129,7 mil metros quadrados e o lance mínimo será de R$ 40,4 milhões. 

Fontes do setor acreditam que a unidade deve ter bastante demanda, pois fica numa região muito procurada por varejistas e centros de distribuição do comércio eletrônico. O certame está marcado para dia 13, e será realizado pela Megaleilões.

A venda do ativo servirá para levantar recursos para a Editora Três pagar credores. A companhia entrou em recuperação judicial no ano passado, após acumular dívidas de R$ 263,8 milhões. A editora foi afetada pela queda da tiragem de seus veículos impressos e de anunciantes, combinada com os efeitos negativos provocados pela pandemia.

Da dívida total do grupo, R$ 41,8 milhões são passivos trabalhistas e outros R$ 215,6 milhões são dívidas com bancos e fornecedores. O dinheiro do galpão irá, especificamente, para o pagamento dos credores trabalhistas e equiparados no processo.

O plano de quitação foi reapresentado em maio e prevê a venda também da sede da companhia, na região da Lapa (zona oeste de São Paulo), além de marcas, softwares e licenças. Uma alienação completa do grupo não está descartada.

A Editora Três informou, via advogados, que apoia a venda do galpão da antiga gráfica e acredita no sucesso do leilão. Para a companhia, essa é uma etapa importante do compromisso de pagar credores e de reorganizar operações. A empresa é assessorada pelo escritório Loureiro, Cione, Simionato e Carvalho Advogados (LCSC Advogados) e tem como administrador judicial a Rv3 Consultores. O caso corre na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo.

É a segunda vez que a companhia entra em recuperação judicial. A primeira vez foi em 2007. O grupo foi fundado em 1973 pela família Alzugaray (que segue no comando) como uma distribuidora de publicações diversas e ao longo dos anos seguintes passou a ter revistas próprias.

 

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