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Fintech alemã N26 chega ao Brasil para brigar com o Nubank

Empresa avaliada em US$ 9 bilhões estreia na América Latina com 200 mil clientes em lista de espera; banco digital se vende como plataforma de educação financeira

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2021 | 05h00

Era para ter acontecido em 2019, mas finalmente o banco digital alemão N26 vai desembarcar no Brasil para concorrer em um terreno ainda mais competitivo. Apesar de prestar serviços similares ao que seus concorrentes já fazem no Brasil, como Nubank, Inter e todos os bancos digitais ligados às grandes instituições financeiras. Porém, o N26 promete ser diferente e fala em lançar a “segunda geração de fintechs” no Brasil.

Pode parecer falta de modéstia, mas o diretor geral da empresa no Brasil, Eduardo Prota, diz que a primeira geração de fintechs serviu para democratizar o acesso às ferramentas financeiras. Agora, faltam aquelas empresas que vão ajudar os brasileiros a cuidar melhor do seu dinheiro, segundo o executivo.

“Queremos resolver o problema do brasileiro. O acesso aos produtos ficou mais fácil, mas o aconselhamento segue difícil. É como se você fosse a uma farmácia e começasse a ter que buscar remédios sem conhecimento”, afirma.

Conta compartilhada

No entanto, Prota afirma que apenas criar conteúdo não é o suficiente. A empresa quer importar ferramentas da operação internacional. Uma das grandes apostas é o “Spaces”. A ferramenta consiste em criar uma conta compartilhada entre as pessoas. 

O executivo dá o exemplo da funcionalidade em um churrasco: basta um usuário criar uma subconta, inserir outros amigos e todos passarão a ter acesso aos gastos do evento, quanto dinheiro foi arrecadado e a divisão do montante entre os participantes.

Além disso, o N26 também explora algumas ferramentas já vistas em outras fintechs por aqui, como cashback, e outras novas, como antecipação de salário em dois dias. Obviamente, todas as funcionalidades de uma conta digital também estão inclusas e, no futuro, a empresa também pretende oferecer uma plataforma de investimentos.

Nem tudo de graça

O N26, ao contrário de grande parte dos bancos digitais, não quer ser visto como um banco gratuito. Quer dizer, ele oferecerá o básico de graça, mas vai adotar o modelo “freemium”. Ou seja, para usar algumas ferramentas, o cliente terá que pagar mais. No Brasil, segundo Prota, ainda não há valores definidos, mas os clientes chegam a pagar até € 20 por mês.

Um dos exemplos é o Spaces. Na Alemanha, por exemplo, é possível criar até duas “subcontas” sem custo. Mas, se o cliente quiser mais, começa a pagar um valor a mais. “Criamos incentivos e ferramentas que fazem as pessoas enxergarem valor no negócio. Por isso, nós somos um dos bancos digitais que mais rentabilizam por clientes”, diz.

Novos aportes

Os investidores estão apostando que esse modelo pode dar certo. Em outubro, a companhia recebeu um aporte de US$ 900 milhões dos fundos Third Point Ventures e Coatue Management. Com o novo investimento, que fez o total recebido pela empresa até hoje chegar a US$ 1,8 bilhão, a empresa passou a ser avaliada em US$ 9 bilhões, cerca de R$ 50 bilhões no câmbio atual. “Na Alemanha, somos o segundo banco mais valioso, atrás apenas do Deutsche Bank”, diz Prota. 

Apesar de ainda estar bem distante do Nubank, que está em processo de abertura de capital e deve estrear nas bolsas americana e brasileira, valendo pelo menos US$ 50 bilhões, o N26 vale mais do que o Banco Inter (R$ 35,7 bilhões).

Colaborativo

A N26 já conta com 25 operações espalhadas no mundo, sendo 24 na Europa e a outra nos Estados Unidos. O Brasil, portanto, seria o primeiro da América Latina. Por aqui, a empresa vai lançar um período de testes com um grupo de clientes para testar as melhores ferramentas e até criar novas. O lançamento para o público final, de fato, será em 2022.

Isso significa um atraso de quase três anos do plano inicial. Isso porque a N26 queria estrear no Brasil entre 2019 e 2020, mas aí veio a pandemia, e os alemães pisaram no freio. O time de 15 pessoas foi dispensado na época, e Prota ficou cuidando mais das burocracias. Um dos passos dado nesse período foi a obtenção da licença de Sociedade de Crédito Direto do Banco Central.

Mas, como a empresa tinha aberto um pré-cadastro naquela época, atualmente existe uma base de 200 mil pessoas na fila para ter uma conta da N26, diz Prota. 

Para o professor de empreendedorismo do Insper, Marcelo Nakagawa, a entrada de mais um concorrente forte no Brasil é boa para o consumidor e mostra que ainda há espaço para mais disputas. 

“A briga das soluções financeiras digitais está muito no começo e com o seu modelo, o N26 tende a pegar um cliente um pouco mais sofisticado do que outros bancos como o Nubank”, diz Nakagawa. Ou seja, pode ter uma rentabilidade maior do que a companhia brasileira.

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