Com dólar alto, inflação ao produtor sobe 1,48% em agosto

O resultado de agosto é o terceiro maior da serie histórica, superado apenas pelos avanços observados em maio de 2012 (1,69%) e janeiro de 2010 (1,50%)

Idiana Tomazelli, da Agência Estado,

25 de setembro de 2013 | 10h10

RIO - O Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado há pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou alta de 1,48% em agosto. No mês anterior, a taxa ficou em 1,21%, conforme dado revisado (1,19% na leitura inicial). No acumulado do ano, o indicador teve alta de 4,30%, e, em 12 meses, de 5,97%.

O resultado de agosto é o terceiro maior da serie histórica, superado apenas pelos avanços observados em maio de 2012 (1,69%) e janeiro de 2010 (1,50%), mês de inicio da serie. O IPP mede a evolução dos preços de produtos na "porta da fábrica", sem impostos e fretes, de 23 setores da indústria de transformação.

Atividades

Em agosto, 22 das 23 atividades pesquisadas para o cálculo do IPP apresentaram alta de preços. Em julho, foram 18. As principais altas foram de alimentos (3,15%), fumo (2,87%), outros equipamentos de transporte (2,86%) e calçados e artigos de couro (2,69%).

Entre as altas, as maiores contribuições para a aceleração do índice na passagem de julho para agosto vieram de alimentos (impacto de 0,63 pp), outros produtos químicos (0,15 pp), metalurgia (0,14 pp) e refino de petróleo e produtos de álcool (0,09 pp).

O indicador acumulado de 2013 atingiu 4,30% em agosto, ante 2,79% em julho. As atividades que registraram as maiores variações percentuais nessa perspectiva foram fumo (12,86%), papel e celulose (9,36%), calçados e artigos de couro (7,76%) e têxtil (7,56%).

Em agosto deste ano, os preços dos alimentos variaram em média 3,15%, maior variação positiva desde maio de 2012 (3,23%). Com isso, o acumulado no ano saiu de 1,08% em julho para 4,26% em agosto.

Dólar

A desvalorização cambial foi o principal responsável pela alta do IPP em agosto. Segundo o Alexandre Brandão, gerente da pesquisa da Coordenação da Indústria do IBGE, a alta de aproximadamente 4% do dólar em agosto foi a responsável pela aceleração do indicador, que já havia se mostrado sensível a cotação da divisa em meses anteriores. "Sempre que o dólar sobe, há esse efeito sobre o IPP", diz Brandão. O IPP de agosto foi o terceiro maior da história do índice, que começou a ser divulgado em janeiro de 2010.

Em julho, a alta do IPP havia sido de 1,21% (revisado da leitura anterior, de 1,19%), em um mês que a valorização do dólar ante o real foi de 3,7%, destaca Brandão. Em junho, a alta de 6,8% no cambio resultou em IPP de 1,32%.

Apesar de questões específicas de safra e de condições climáticas, que interferiram em itens de alimentação, os setores que mais influenciaram o avanço do IPP foram aqueles em que há intensa atividade de exportação ou importação de matérias primas: alimentos, petróleo e álcool, produtos químicos e metalurgia. Juntos, os quatro segmentos formaram 1,01 ponto percentual do IPP. "O setor de alimentos vai puxar a alta esse ano", afirma Brandão.

Segundo ele, esse peso vem do tamanho do segmento na indústria de transformação, bem como da variação intensa dos preços. Em agosto, a alta foi de 3,15%, levando o acumulado no ano para 4,26%, ante 1,08% em julho. A alta do preço da soja, devido a problemas climáticos na safra dos Estados Unidos e ao aumento na demanda interna, foi um dos destaques no mês, segundo o gerente da pesquisa.

A aceleração ainda provocou alta de preços em 22 das 23 atividades pesquisadas - uma elevação generalizada nunca percebida anteriormente na serie, ressalta Brandão. O único setor a registrar queda em agosto foi à impressão e reprodução de gravações (-0,73%), mas insuficiente para gerar um impacto negativo no IPP.

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