Com fim da colheita de soja, Agroconsult reduz safra do Brasil

Com a colheita de soja da safra2007/08 praticamente finalizada no Brasil, a Agroconsultreavaliou para baixo em 1,5 milhão de toneladas a suaestimativa de produção. Em um país com dimensões continentais, foram vários osmotivos que reduziram a colheita, como chuvas e geadas em SantaCatarina e alta incidência de ferrugem asiática em Mato Grossodo Sul, além de seca no Rio Grande do Sul. "No geral, a estimativa caiu de 62,4 milhões de toneladaspara 60,9 milhões de toneladas. Ainda assim, a safra cresceu 4por cento em relação a 2006/07, que foi de 58,5 milhões", disseo analista da Agroconsult Fábio Meneghin, nesta sexta-feira,por telefone. Alguns ajustes na produção dos maiores produtores, comoMato Grosso e Paraná, também levaram a Agroconsult a revisarpara baixo o seu número apurado durante o Rally da Safra,expedição técnica que coletou amostras das lavouras na maioriados Estados brasileiros há alguns meses. "O único número que não mexemos foi o do Rio Grande do Sul(terceiro produtor nacional). A previsão lá ficou em uma médiade 33 sacas (60 kg) por hectare", disse Meneghin, lembrando queos rendimentos foram díspares, com algumas regiões colhendoapenas nove sacas por hectare, contra outras registrando 50. No ano passado, a produtividade média do Rio Grande do Sulfoi de 42,5 sacas por hectare. "Em Santa Catarina, estávamos prevendo 50 sacas porhectare, mas no final deu uma geada na região de Campos Novos,abriram as vagens, choveu granizo e acabou derrubando para 46,5sacas." Em Mato Grosso do Sul, a produtividade média ficou em 46,5sacas, contra 50 estimadas inicialmente, por conta da altaincidência da ferrugem em São Gabriel d'Oeste, "onde colheram20 sacas por hectare". Em Mato Grosso, a produtividade média foi revista levementepara baixo, de 54 para 53,5 sacas, ainda um recorde. A mesmarevisão foi feita no Paraná (segundo Estado produtor depois deMato Grosso), de 52 sacas para 51,5 sacas por hectare. Com a reavaliação, o número da Agroconsult fica maispróximo, mas ainda acima, do anunciado pelo Ministério daAgricultura, que projeta a safra em 59,5 milhões de toneladas. Outros analistas também dizem que estão reduzindo suasprevisões. Eduardo Godoi, da Agência Rural, cuja estimativaapontava uma colheita de 63 milhões de toneladas, afirmou nestasemana que estaria diminuindo a previsão, pelos problemas noRio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. COM VENDAS AVANÇADAS, PRODUTOR ESPERA Outra consultoria privada brasileira, a Céleres, prevê umasafra de 60,2 milhões de toneladas. Os analistas dessa empresatambém detectaram os mesmos problemas na colheita do Rio Grandedo Sul e Mato Grosso do Sul. A Céleres apontou ainda que a comercialização da safra estámais adiantada na comparação com o ano passado em mais de 20pontos percentuais, com os sojicultores já tendo comercializado68 por cento da safra 07/08. "A partir de agora, ele seguirá vendendo ponto a ponto, jácumpriu suas obrigações financeiras e vai aguardar melhorespreços no mercado internacional", disse o analista da CéleresLeonardo Menezes, citando como fatores altistas o nervosismo domercado com o protesto dos agricultores argentinos e o "weathermarket" durante a definição da safra dos EUA. "Mas não recomendamos que o produtor segure o produto, poisos contratos futuros mais distantes (em Chicago) estãoindicando preços mais baixos", com o provável crescimento dasafra dos EUA, disse ele.

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