Samuel K / DIvulgação B3
Samuel K / DIvulgação B3

Com forte demanda, operadoras de saúde têm estreias bilionárias na Bolsa

Após levantar R$ 3,4 bilhões em sua abertura de capital, a cearense Hapvida, líder no Nordeste e no Norte do País, viu suas ações subirem quase 23% no primeiro dia de pregão; na segunda-feira, IPO da NotreDame Intermédica movimentou R$ 2,7 bilhões

Aline Bronzati, Dayanne Sousa e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2018 | 04h00

Em operações bilionárias e valorização dos papéis acima dos 20%, a estreia das operadoras de saúde Hapvida e NotreDame Intermédica na bolsa de valores essa semana colocou de novo em destaque o setor de saúde suplementar no mercado brasileiro. Depois de ver a sua participação minguar nos últimos anos, com a saída de Medial e Amil, o segmento voltou a ganhar reforço, com alta demanda por papéis, tanto de investidores brasileiros quanto estrangeiros.

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Após levantar R$ 3,4 bilhões na sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), o papel da Hapvida estreou ontem na B3, bolsa paulista, com alta de 22,77%, cotado a R$ 28,85. O apetite pelas ações superou sete vezes a oferta. De acordo com o presidente da companhia, Jorge Pinheiro, foi a maior oferta da saúde suplementar no Brasil.

Com forte presença no Nordeste, líder na região e também no Norte do País, a companhia planeja expandir seus negócios também para a região Sudeste. “Aquisições podem ser uma estratégia, já que o setor é ainda muito pulverizado”, afirmou o executivo. O plano, segundo Pinheiro, é manter o perfil verticalizado do negócio, formado por rede de hospitais próprios, que atraiu os investidores ao longo do roadshow (rodadas de apresentações a investidores). Grande parte da oferta foi primária, ou seja, com os recursos indo direto para o caixa da empresa.

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Tendência. Controlada pelo fundo Bain Capital, a NotreDame Intermédica, que chegou à bolsa na segunda-feira, teve performance similar à rival, com demanda superando em cinco vezes o volume de ações ofertadas e disparada de 22,73% no preço de estreia do papel, com a ação cotada a R$ 20,25. Ontem, no entanto, o papel recuou 3%.

Durante cerimônia de estreia da companhia na B3, que marcou o primeiro IPO da bolsa brasileira neste ano, o presidente do Grupo NotreDame Intermédica, Irlau Machado Filho, lembrou que, desde a chegada do fundo americano Bain Capital, a operadora traçou um “ambicioso” plano de aquisições e “maciço” investimento em rede própria de atendimento. “Isso permitiu triplicarmos de tamanho nos últimos quatro anos”, afirmou.

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O interesse dos investidores no setor fica também evidente sob o prisma da seletividade do mercado. Neste ano, dois IPOs foram suspensos por falta de demanda, o da Blau Farmacêutica e o da varejista de brinquedos Ri Happy.

Dom da multiplicação.Com elevada demanda dos investidores, os múltiplos da NotreDame passaram de 17 vezes o lucro estimado para a companhia em 2018, enquanto que os da Hapvida chegaram a 20 vezes, sem contar com a valorização dos papéis no primeiro dia de negociação.

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Com isso, a operadora do Nordeste vai estrear na bolsa valendo duas vezes a SulAmérica, tradicional no setor, cujas ações na bolsa brasileira estão sendo negociadas a um múltiplo de mais de 11 vezes. Segundo um analista do setor, o patamar das estreantes está bem acima da média dos últimos 5 anos do setor, que ficou abaixo de 9 vezes.

Para justificarem o múltiplo bem mais elevado, porém, Hapvida e NotreDame Intermédica terão o desafio de entregar lucros crescentes. “Certamente controle de custos será uma prioridade ainda maior, com uso intensivo de tecnologia e recursos de inteligência artificial, sobretudo na gestão de sinistros”, avalia um especialista do mercado.

Rede própria. Nesse contexto, o modelo verticalizado de atuação dessas operadoras pode servir de vantagem. Isso porque esses players operam com uma rede integrada com hospitais próprios, que permite custos mais acessíveis, blindando-os dos impactos inflacionários do setor de saúde. A NotreDame possui uma rede com 18 hospitais próprios. 

No passado, o grupo de empresas com atuação no setor de saúde suplementar era bem maior na bolsa. As operadoras Amil e Medial, a última adquirida pela primeira em 2009, tinham capital aberto. Depois, a empresa foi comprada, em 2012, pela norte-americana UnitedHealth, que a deslistou do mercado.

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