Com forte demanda, Petrobras assegura sucesso de oferta recorde

A Petrobras obteve uma demanda superior ao volume de novas ações que pretende emitir e assegurou o sucesso da mega oferta de papéis que coloca a empresa em lugar central no cenário financeiro global.

REUTERS

23 de setembro de 2010 | 16h53

A petroleira define mais tarde, nesta quinta-feira, o valor das ações em sua capitalização, em um ambiente positivo marcado por altas significativas dos papéis como resultado do fim de um longo, confuso e tumultuado processo para a companhia e os investidores.

As ações preferenciais da empresa operavam com alta de 4,81 por cento por volta das 16h (horário de Brasília), enquanto o Ibovespa subia 1,5 por cento. As ordinárias subiam 3,87 por cento no mesmo horário.

"Remova todos os elementos de incerteza e os mercados vão se sentir mais leves, então uma precificação bem-sucedida será boa para todo mundo", afirmou Jorge Simino, que supervisiona ativos de 10 bilhões de dólares no fundo Funcesp.

O IFR, serviço de informações financeiras da Thomson Reuters, informou que a demanda pelas ações da companhia chegou ao dobro do número de ações a serem emitidas.

Mais cedo, duas fontes ouvidas pela Reuters confirmaram que a demanda superou a oferta, apesar de acrescentarem que possivelmente não chegou a duas vezes o volume de papéis ofertados, dado o tamanho da operação, a maior do tipo na história.

O conselho de administração da Petrobras reúne-se por volta das 19h para aprovar o preço das ações na oferta, cujo lote inicial prevê emissão de 2,17 bilhões de ações ordinárias e 1,59 bilhão de preferenciais. Os lotes adicional e suplementar incluem mais 940 milhões de ações.

A companhia prepara um grande evento na Bovespa na sexta-feira para marcar a operação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparecerá. Nesta quinta, ele voltou a falar sobre a grandiosidade do negócio, em cerimônia em Maringá, no norte do Paraná.

"Amanhã, às 10h da manhã, eu estarei na Bolsa de Valores de São Paulo. E amanhã nós vamos fazer uma coisa que nunca aconteceu... Nós vamos capitalizar a Petrobras, por conta do pré-sal, que vai ser a maior capitalização já feita na história da humanidade", afirmou, repetindo uma frase que ele tem usado com frequência.

"...não será menos do que 70 bilhões de dólares", acrescentou.

A operação deverá ficar próxima dos 130 bilhões de reais se os lotes adicional e suplementar forem exercidos.

E a União, com 74,8 bilhões de reais disponíveis para participar da oferta, resultado da cessão de 5 bilhões de barris para a Petrobras, deverá elevar sua participação no capital da companhia, hoje em torno de um terço do total.

Com os recursos da oferta, a Petrobras vai melhorar seu perfil de endividamento e terá dinheiro para implementar as centenas de projetos de seu plano de cinco anos (2010-2014), destinado principalmente a avançar com a exploração das reservas gigantes descobertas no pré-sal da bacia de Santos.

(Reportagem de Guillermo Parra-Bernal, Denise Luna, Brian Ellsworth, Rodolfo Barbosa, Fernando Cassaro e Elzio Barreto)

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