Fernando Frazão/ Agência Brasil
Fernando Frazão/ Agência Brasil

Greve dos Correios chega a 19 regiões e empresa pensa em plano emergencial

Entre as ações, estão previstos o deslocamento de empregados entre as unidades, apoio de pessoal administrativo, horas extras e mutirões de entrega nos fins de semana se for necessário

Agência Brasil

18 Setembro 2015 | 09h44

A greve dos servidores dos Correios já afeta a distribuição de cartas e encomendas em 19 regiões do País. Segundo os Correios, 19 sindicatos locais e regionais aderiram a greve: Amazonas; Bahia; Ceará; Maranhão; Mato Grosso; Pará; Paraíba; Piauí; Rio de Janeiro; Santa Catarina; Tocantins; Brasília (DF); regiões metropolitanas de Belo Horizonte, de Porto Alegre e de São Paulo; Bauru, Campinas, São José do Rio Preto e Vale do Paraíba, em São Paulo.

Em nota, os Correios informaram que, nos locais afetados pela greve, a empresa aplicará o Plano de Continuidade de Negócios. "O plano inclui ações como deslocamento de empregados entre as unidades, apoio de pessoal administrativo e realização de horas extras. Caso haja necessidade, a empresa também pode promover mutirões para entrega de correspondências nos fins de semana".

A entrega das encomendas pode sofrer atrasos, porque a greve atinge principalmente a área de distribuição. No Rio, do total de 5.249 carteiros que deveriam trabalhar, 2.369 não compareceram (45,13%), segundo os Correios. As agências estão abertas aos serviços.

A greve atingiu nesta quinta-feira, 17, cerca de 65% dos funcionários no Rio de Janeiro, informou o presidente regional do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos (Sintect-RJ), Ronaldo Martins. De acordo com os Correios, entretanto, dos 36 sindicatos, 17 não deflagraram greve. 

A assessoria dos Correios ainda não tem um balanço dos efeitos da greve na entrega de encomendas, mas informou que as agências funcionam normalmente. Atendentes de diversas agências no Rio de Janeiro alertam os clientes que a entrega das encomendas pode sofrer atrasos.

Protesto. “Vamos continuar com a paralisação e temos diversos atos marcados na cidade do Rio e na região metropolitana", disse Martins. Ele informou que nesta sexta-feira haverá um ato na Baixada Fluminense e segunda-feira, 21, uma passeata em frente à sede dos Correios, na Cidade Nova, no centro do Rio.

"Temos que lutar porque a gestão atual dos Correios é muito ruim. Está há cinco anos e, nesse tempo, não dialoga com os trabalhadores nem resolve os problemas deles, tanto com relação ao salário quanto com relação à estrutura do trabalho.”

Entre as principais reivindicações dos trabalhadores, estão a reposição da inflação, mais um aumento de 10% de ganho real, a manutenção das condições do plano de saúde da categoria, a realização de concurso público imediato e a contração de 1.500 trabalhadores.

Os Correios entraram com ação de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST), por falta de acordo na negociação direta com os trabalhadores. Dessa forma, a empresa retoma sua última proposta aos funcionários, propondo um reajuste de 6% nos salários, sendo 3% retroativos a agosto e 3% em janeiro de 2016, além de outros itens. 

A proposta apresentada pelo TST garantia a manutenção do plano de saúde (cláusula 28) da forma que está hoje. Desde 2011 os Correios promovem aumento do efetivo em mais de 13 mil vagas (passou de 107 mil para 120 mil trabalhadores efetivos) e estão atualmente trabalhando na realização de um novo concurso público (2 mil vagas), conforme já foi divulgado.

De acordo com a empresa, o reajuste médio dos empregados dos Correios no período 2011-2014 foi de 36%, para uma inflação de 27,3% no mesmo período. Segundo os Correios, além disso, os carteiros recebem vale-alimentação e mais uma cesta básica de cerca de R$ 1 mil mensais, adicionais de atividade, plano de saúde, auxílios-creche e babá, bolsas de estudo e vale-cultura.

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