Com lance de € 2,7 bi, chinesa Three Gorges é a nova controladora da EDP

Segundo o governo português, no entanto, proposta poderá chegar aos € 8 bilhões; lance da companhia chinesa derrotou as brasileiras  Eletrobras e Cemig

Jair Rattner, da Agência Estado,

22 de dezembro de 2011 | 15h18

LISBOA - O governo português confirmou nesta quinta-feira, 22, que a empresa chinesa Three Gorges é a vencedora da concorrência pela privatização da empresa elétrica EDP - que no Brasil controla a Energias do Brasil. Na concorrência, vencida com um lance de € 2,7 bilhões, as empresas brasileiras Eletrobras e Cemig foram derrotadas.

A secretária de Estado do Tesouro de Portugal, Maria Luís Albuquerque, indicou, no entanto, que a proposta da chinesa poderá chegar aos € 8 bilhões. "Isso inclui o encaixe do Estado, os € 2 bilhões de investimento na EDP até 2015, a possibilidade de financiamento da própria empresa e também a vinda dos bancos com que a Three Gorges se relaciona que estarão voltados para o financiamento à economia portuguesa", disse.

A Three Gorges ficará com 21,35% das ações da EDP, o maior lote de ações da empresa. Antes da privatização, havia um acordo de acionistas que previa um limite de 10% nos direitos de voto. O governo português ainda vai ficar com 4% das ações da EDP, que poderão ser vendidas ao vencedor posteriormente.

Além da empresa chinesa e das brasileiras, a quarta concorrente ao processo de privatização era a alemã E.On. A Three Gorges foi criada para operar a usina hidrelétrica de Três Gargantas, no Yangtse, com capacidade de 18,5 MW. Com uma capacidade instalada de 21,5 MW, a empresa conta com ativos de € 33,6 bilhões. Além de usinas hidrelétricas, a Three Gorges também investe na produção de energia eólica - toda sua produção é de energia renovável.

Albuquerque corrigiu declarações dadas anteriormente e afirmou que a Three Gorgesnão vai adquirir uma parte da empresa brasileira. Maria Luís ressalta que será através da empresa com base em Portugalque a chinesa investirá no Brasil: "A China Three Gorges não vai entrarna EDP - Energias do Brasil. O seu projeto baseia-se nas renováveis enos Estados Unidos. Se entrar em parques eólicos no Brasil, o que seráanalisado caso a caso, fará isso através da EDP Renováveis e comparticipação minoritária, dado o Brasil ser considerado área da EDP.Assim, a EDP fica intocada no Brasil", disse.

Detendo a posição de líder em Portugal, além das operações no Brasil - distribuição e geração - a EDP é atualmente a terceira maior empresa de geração eólica do mundo, sendo a segunda no mercado dos Estados Unidos.

O negócios deverá ser concluído em março ou abril. "Um primeiro pagamento, de cerca de € 600 milhões, deverá ser realizado na assinatura do contrato, em janeiro, e o restante na sua conclusão, em março ou abril". A conclusão depende de autorizações de autoridades regulatórias.

Privatização

O ministro das Finanças de Portugal, Vitor Gaspar, destacou nesta quinta que o plano de privatização do país atraiu interesse importante e mostrou que Portugal oferece oportunidades valiosas de investimento.

Em entrevista, Gaspar evitou comentar especificamente sobre a venda da participação de 21% do governo na EDP - Energias de Portugal para a China Three Gorges. "O programa de privatização é importante não somente porque nos dá acesso a uma fonte de financiamento que atualmente é muito importante para a economia portuguesa, mas também porque mostra a possibilidade de diversificação das fontes de financiamento da economia portuguesa", disse Gaspar.

As informações são da Dow Jones.

Texto atualizado às 16h25

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