MARCOS DE PAULA/AGENCIA ESTADO/AE
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Com medo dos carros elétricos, Castello Branco defende acelerar exploração do pré-sal

Para presidente da Petrobrás,tendência é que demanda por petróleo caia, leve à perda de valor das reservas e, por isso, é preciso investir 'antes que seja tarde'; estatal não abandonou o Nordeste, disse, mas não tem dinheiro para tudo

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2019 | 12h36

BRASÍLIA - O presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, defendeu nesta terça, 8, que haja uma aceleração agora dos investimentos em projetos de exploração e produção de petróleo nas áreas do pré-sal. O alerta é que o óleo no fundo do oceano pode perder valor nas próximas décadas.

“No longo prazo, eletrificação de automóveis nos aflige: a tendência é de que a demanda por petróleo cresça menos, estagne ou até caia no futuro”, afirmou, em audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. “As reservas no pré-sal são valiosas e a Petrobrás é dona natural dos ativos. A oportunidade para o pré-sal é agora, não podemos deixar passar. Precisamos concentrar esforços e explorar o pré-sal antes que seja tarde.”

Castello Branco, no entanto, reforçou que as vendas que a empresa tem feito não irão superar o valor dos novos investimentos da companhia. “A Petrobrás é uma empresa de custo elevado e estamos eliminando ineficiências”, disse. Castello Branco também negou qualquer estratégia da empresa em fazer “demissões em massa” para reduzir custos. A empresa, porém, tem programas de demissões incentivadas.

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"Desmonte no Nordeste"

O tema da sessão na comissão da qual ele participa é “o fechamento da Petrobrás na Bahia e o desmonte da Petrobrás no Nordeste”. Segundo ele, a "natureza trabalhou contra" a Bahia que já foi um Estado muito importante para a empresa, mas hoje só representa 1,5% da produção da companhia.

"Infelizmente nossa produção na Bahia hoje ficou irrelevante, assim como outros Estados do Nordeste, como Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe", afirmou. "Não estamos fechando nossas operações no Nordeste, mas vendendo para empresas privadas interessadas nesses ativos, que estão investindo na região e vão gerar empregos. A Petrobrás não tem dinheiro para investir em tudo", completou.

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'Templo da corrupção'

Castello Branco falou ainda sobre a sede da Petrobrás em Salvador - conhecida como Conjunto Pituba - formada por uma torre de 22 andares que custou R$ 2,087 bilhões, enquanto a empresa mal ocupa cinco andares do prédio. “Tomamos a decisão de desocupar prédio, que é um monumento ao desperdício, um verdadeiro templo da corrupção”, disse.

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Aa companhia pretende ainda usar os recursos levantados com a venda de oito refinarias para acelerar os investimentos na exploração do pré-sal que, segundo ele, trará mais retorno à empresa. 

"Refinaria não é um negócio tão bom assim, porque exige custo baixo e o custo de pessoal da Petrobrás é alto. As maiores petroleiras do mundo inclusive venderam 30% da sua capacidade de refino nos últimos anos", afirmou.

Castello Branco disse ainda que, apesar da venda de ativos no setor, não sairá totalmente do negócio de refino. "Contemplamos, por exemplo, o crescimento no setor de petroquímica no futuro, utilizando as reservas de gás do pré-sal", disse.

Embora a empresa passe por um longo processo de desinvestimentos em diversas áreas, ele negou que a companhia será privatizada. “Não existe nenhum plano de privatizar a Petrobras, isso é um fantasma”, respondeu.

Caminhoneiros

Durante o depoimento, Castello Branco disse que o problema dos caminhoneiros brasileiros não é o preço do diesel, mas a falta de demanda pelo transporte rodoviário de cargas. “Poderíamos vender diesel a preço venezuelano que não resolveria o problema dos caminhoneiros", afirmou. "O problema dos caminhoneiros é que falta carga e, com os incentivos dados em governos anteriores, há um excesso de caminhões nas estradas.”

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