JF Diorio/ Estadão
JF Diorio/ Estadão

Com megaloja, Via tenta espantar má fase

Com queda de 60% nas ações em 2021, presidente da empresa afirma que mercado verá valor da varejista no longo prazo

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2021 | 05h00

Via, dona das marcas Casas Bahia e Ponto, está atravessando um mar de más notícias. De provisões bilionárias à morte da principal estrela para a Black Friday, a empresa perdeu a confiança de parte dos investidores, e suas ações derreteram na Bolsa. Mesmo assim, o presidente da companhia, Roberto Fulcherberguer, acredita que a visão de longo prazo continua positiva e que o mercado irá perceber o valor da companhia.

“A empresa tem um legado ruim e um outro bom. É claro que ninguém fica feliz com provisão bilionária, mas esse tipo de problema tem dia e hora para acabar. É uma empresa de longo prazo”, afirma Fulcherberguer ao Estadão

Na quinta-feira, 18, na tentativa de espantar a má fase, a varejista abriu uma megaloja que deverá servir de laboratório para testar novidades para os demais pontos de venda. O espaço, na Marginal Tietê, terá a primeira loja física do clube de vinhos Wine e uma Casa Bauducco, entre outras atrações – ambos vendedores no marketplace da companhia.

Nos resultados do terceiro trimestre, a dona da Casas Bahia separou R$ 2,5 bilhões para pagar processos trabalhistas e ações judiciais. O executivo justifica o gasto como resultado da velocidade de tramitação dos processos, assim como valores mais elevados por ação. “Mas o impacto no caixa da companhia vai ser zero, pois temos mais de R$ 3 bilhões em crédito tributário.”

A notícia caiu como uma bomba entre os investidores, com diversos bancos de investimento retirando a recomendação de compra dos papéis da varejista. O Credit Suisse foi um dos mais duros, afirmando que a empresa tinha “um legado pesado e imprevisível”. 

Em dez dias, o papel da Via despencou 25% na Bolsa e, no ano, o valor de mercado caiu mais de 60%. Para contribuir com o mau momento, a morte da cantora Marília Mendonça forçou a Via a mudar toda a sua estratégia para a data, a mais importante para o varejo. 

Lado bom

Por isso, Fulcherberguer quer se concentrar no legado positivo da empresa. Mesmo tendo ficado atrasada na transformação digital frente a concorrentes como Magazine Luiza e Mercado Livre, a empresa está conseguindo abocanhar parte do mercado. 

No terceiro trimestre, a empresa viu as suas vendas digitais crescerem 35% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto o faturamento total subiu 6%. O número de vendedores do marketplace saltou de 8 mil para 108 mil de janeiro a setembro.

 Com isso, a Via quer mostrar que não está atrasada antes as rivais. Mas, para a sócia da consultoria AGR Ana Paula Tozzi, a transformação da companhia precisa ser mais rápida. “Ainda olho para a Via e a vejo mal embasada na estratégia digital. Eles têm um apelo popular, uma marca com força e credibilidade e precisam usar isso de maneira melhor.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.