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Com melhora de cenário, fundos voltam a considerar abrir capital de empresas

Após longo período sem nenhuma oferta de ações, gestoras de private equity teriam até 20 companhias no portfólio prontas para serem negociadas na Bolsa

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2016 | 05h00

Especializados em comprar participações em empresas para vender no futuro com lucro, os fundos de private equity voltaram a considerar a Bolsa como uma alternativa viável na hora de se desfazer dos investimentos, após um longo período sem nenhuma oferta de ações.

Segundo apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, há pelo menos entre 15 e 20 companhias brasileiras na carteira desses fundos que estão próximas do desinvestimento e prontas para abertura de capital no Novo Mercado, principal segmento de listagem da BM&FBovespa. A Bolsa é tradicionalmente uma das opções preferidas das gestoras para sair dos negócios.

O Pátria, por exemplo, já está avançado para levar a Alliar, que atua em medicina diagnóstica, para uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), segundo fontes. Além dele, os fundos Kinea (do Itaú), Advent, Tarpon e Actis estariam com empresas em suas carteiras preparadas para irem a mercado. Entre elas, são fortes candidatas, por exemplo, a locadora de veículos Unidas, do portfólio da Kinea. A Actis possui em sua carteira o grupo Cruzeiro do Sul. A Advent, que já levou à bolsa nomes como Cetip e Kroton, tem participação no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) e na empresa de tecnologia Allied. Procurados, Kinea, Advent e Tarpon não comentaram. Pátria e Actis não retornaram os pedidos de entrevista.

“Muitos fundos estão em compasso de espera. Se houver uma estabilidade política, se confirmando a mudança de governo, poderá se abrir um bom momento para desinvestimento”, afirma o sócio-líder da área de financial advisory da Deloitte, Eduardo Martins. Ele reforça que um caminho saudável de crescimento de uma companhia é exatamente por meio dos fundos de private equity, que implementam uma estrutura financeira adequada à empresa, com pilares de governança corporativa e direciona, após um período de maturação, a empresa para o mercado de capitais.

Sinais. O primeiro sinal de que a Bolsa pode se tornar uma porta para desinvestimento desses fundos foi dado pelo fundo americano Carlyle. Após levar a operadora de turismo CVC para uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no fim de 2013, o fundo realizou, neste mês, uma oferta subsequente (“follow on”), reduzindo mais uma vez sua fatia na companhia. Com a expectativa de melhora da economia brasileira, o entendimento é de que essa opção será utilizada por outros fundos no curto prazo.

A saída de um fundo de private equity de um investimento pela bolsa de valores é a opção desejável, embora seja minoria, mesmo que globalmente, destaca o fundador do Centro de Private Equity da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Claudio Furtado. Segundo ele, levantamentos apontam que cerca de 15% das saídas dos fundos de private equity, em nível mundial, são feitos via oferta de ações.

Mas a bolsa é considerada a porta de saída preferencial, uma vez que, no geral, o fundo consegue preços melhores, já que o pedido de desconto costuma ser maior em caso de negociações com investidores estratégicos e, mais ainda, quando a transação é feita com outro fundo de private equity.

“Um IPO com um fundo de private equity por trás é mais fácil de ser vendido”, destaca Furtado. Além dessa rentabilidade, conta Martins, da Deloitte, os melhores retornos históricos para os private equity vieram da realização do investimento em bolsa.

Incipiente. Para o sócio da consultoria Grant Thornton, Paulo Funchal, ainda é cedo para dizer se um movimento de desinvestimento dos fundos via bolsa é de fato uma tendência, dada às incertezas que ainda rondam o Brasil, mas admite que já começa a se desenhar uma expectativa de que a janela de oportunidade para abertura de capital possa se abrir, após um longo período fechada para estreantes.

À espera da retomada da confiança, muitos fundos optaram por postergar desinvestimentos próximos da maturidade, diz o advogado especialista em Private Equity do Stocche Forbes, Fabiano Milani. Para ele, as maiores chances são ainda saída dos fundos de empresas já listadas, que deverão encontrar uma janela com mais facilidade. Depois, com a melhora da confiança, IPOs devem ter seu espaço.

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