Com mudança contábil, Petrobrás poderá distribuir R$ 600 mi adicionais

Donos de ações ordinárias seriam os beneficiados; lucro líquido da petroleira superou as expectativas do mercado, após mudança contábil para reduzir o efeito da alta do dólar na dívida

Reuters,

12 de agosto de 2013 | 12h05

RIO - A diluição do impacto cambial no resultado financeiro da Petrobrás poderá ser realizada em cerca de sete anos, prazo médio da dívida da estatal, disse nesta segunda-feira o diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa.

O lucro líquido da petroleira no segundo trimestre superou as expectativas do mercado com uma mudança contábil para reduzir o efeito da alta do dólar na dívida.

A nova contabilidade teve um impacto positivo da ordem de R$ 5 bilhões no lucro de R$ 6,2 bilhões.

"A contabilidade de hedge coloca os números da empresa alinhados com o caixa", afirmou Barbassa durante entrevista a jornalistas.

Como resultado deste efeito benéfico da mudança contábil, a Petrobrás poderá distribuir dividendos adicionais de R$ 600 milhões para detentores de ações ordinárias no segundo semestre, acrescentou o executivo.

As ações ordinárias da Petrobrás fecharam em queda de 1,43% nesta segunda-feira, 12, cotadas a R$ 15,85.

"Não é distribuição extra, mas o que pode haver é a aprovação pelo Conselho de Administração (do dividendo a mais). Agora com lucro líquido maior, que não foi afetado pela variação cambial, há a oportunidade de aumentar participação das ações ordinárias nos dividendos referentes ao ano."

Mas o executivo pondera que a distribuição de dividendos além do esperado terá de passar ainda por decisão do Conselho e de acionistas. "Até o fim do ano ainda tem muita água para correr."

Segundo ele, a distribuição de dividendos para ações preferenciais deverão ter valor definido por porcentual de 3% do patrimônio líquido. As ações preferenciais da estatal fecharam hoje em queda de 2,99%, a R$ 16,56.

Barbassa explicou ainda que pela nova contabilidade, se o dólar recuar, o valor de perda cambial que migrou para patrimônio líquido será retirado do resultado. Caso contrário, se a moeda americana permanecer elevada, a empresa vai descontar tais perdas da receita com exportações, e a diluição será realizada ao longo de vários anos.

Alavancagem

A alavancagem da Petrobrás (relação entre o endividamento e patrimônio líquido) pode superar 35% a partir do segundo semestre, mas esse aumento seria neutralizado com uma alta na produção até o final de 2014, afirmou o executivo.

"Mesmo ultrapassando os limites de 35% de dívida líquida... duas vezes e meia o Ebitda, nós estamos vendo novas unidades este ano e ano que vem, vemos um crescimento continuado da produção que vai nos trazer mais recursos e proporcionar menos alavancagem da companhia", afirmou Barbassa.

A alavancagem ficou em 34% ao final do segundo trimestre. Já o índice de dívida líquida/Ebitda ajustado caiu para 2,57 vezes.

A perspectiva de crescimento futuro deverá deixar agências de classificação de risco confortáveis, sem afetar, portanto, o rating da companhia, segundo ele.

Venda de ativos

A Petrobrás venderá ativos nos próximos meses, como parte do seu plano de desinvestimentos estimado em US$ 9,9 bilhões, informou o diretor financeiro.

A maior parte do plano de desinvestimentos da companhia será executada ainda neste ano, informou o executivo durante teleconferência com investidores para analisar resultados da empresa do segundo trimestre, divulgados na última sexta-feira.

"Esperamos um semestre mais ativo em desinvestimento", afirmou.

A empresa desinvestiu neste ano cerca de US$ 1,8 bilhão, lembrou Barbassa. A Petrobrás vendeu participações em ativos na África para o BTG Pactual.

Paralelamente, como forma de melhorar seus resultados e garantir caixa suficiente para fazer frente ao robusto programa de investimentos sem extrapolar o endividamento, a estatal quer preços internos mais compatíveis com os do mercado internacional, disse o executivo.

"Estamos trabalhando intensamente para alinhar os preços internos de derivados de petróleo aos internacionais", afirmou Barbassa.

A estatal bateu recordes de refino no segundo trimestre, preparando-se com formação de estoques para algumas paradas em suas instalações, afirmou o diretor de Abastecimento, José Cosenza.

A Petrobrás apresentou lucro líquido de R$ 6,201 bilhões no segundo trimestre, valor acima das estimativas do mercado, com um crescimento da produção de combustíveis vendidos a preços maiores e com a mudança contábil que evitou perda bilionária pela alta do dólar.

Com utilização de 99% da capacidade de refino, a petroleira atingiu receita de vendas de R$ 73,627 bilhões, um aumento de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado e de 2% ante o primeiro trimestre, informou a companhia brasileira na sexta-feira.

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